Anvisa aprova Mounjaro para obesidade e reforça regras para injetáveis emagrecedores

Medicamento reduz até 25% do peso, o maior índice entre terapias aprovadas
O Mounjaro se destaca entre as opções disponíveis no Brasil pela sua eficácia comprovada em estudos clínicos.

No Brasil, a aprovação do Mounjaro pela Anvisa para o tratamento da obesidade marca um momento em que a ciência médica e a política de saúde pública se encontram diante de uma mesma pergunta antiga: a quem pertence o acesso ao cuidado? O medicamento, capaz de reduzir até 25% do peso corporal, chega com eficácia inédita entre as terapias disponíveis no país, mas também com um preço que o coloca fora do alcance da maioria. Enquanto a regulação tenta ordenar um mercado que cresceu à margem das indicações oficiais, a sociedade aguarda saber se a inovação será privilégio ou direito.

  • O Mounjaro, antes aprovado apenas para diabetes, agora tem indicação oficial para obesidade — encerrando uma era de prescrições off-label generalizadas e sem respaldo regulatório.
  • O Ozempic continua sendo amplamente usado para emagrecimento sem aprovação para esse fim, expondo pacientes a riscos que especialistas alertam há meses.
  • Com eficácia de até 25% de redução de peso, o Mounjaro supera todas as terapias anteriormente aprovadas no Brasil, elevando o padrão clínico esperado para o tratamento da obesidade.
  • O custo mínimo de R$ 1.800 por mês na dose mais alta transforma o acesso em barreira concreta, tornando o medicamento inacessível para grande parte da população que mais precisaria dele.
  • A Conitec abriu consulta pública para avaliar a inclusão do Wegovy no SUS no mesmo dia da aprovação do Mounjaro, sinalizando que o governo reconhece a urgência de ampliar o acesso a essas terapias.

Na segunda-feira, a Anvisa aprovou o Mounjaro — caneta injetável com tirzepatida fabricada pela Eli Lilly — para o tratamento da obesidade como indicação primária. Até então, o medicamento era autorizado apenas para diabetes tipo 2, embora fosse amplamente prescrito fora dessa indicação. Agora, pode ser oferecido a pacientes obesos com pelo menos uma comorbidade associada, como hipertensão ou colesterol elevado, em aplicações semanais.

O que distingue o Mounjaro no cenário atual é sua eficácia: estudos demonstraram redução de até 25% do peso corporal, o maior índice entre as terapias aprovadas no Brasil para esse fim. A tirzepatida imita dois hormônios ligados ao controle do apetite e da glicemia, mecanismo mais potente que o das alternativas disponíveis. O Wegovy, com semaglutida, já estava aprovado desde 2023 e reduz em média 20% da massa corporal. O Ozempic, também à base de semaglutida, segue sendo usado off-label para emagrecimento apesar de ser indicado exclusivamente para diabetes — situação que preocupa especialistas.

A aprovação tenta trazer ordem a um mercado que cresceu de forma desordenada, reforçando regras para a prescrição desses injetáveis. Mas o acesso permanece um obstáculo real: a dose mais alta do Mounjaro custa no mínimo R$ 1.800 por mês, valor proibitivo para a maioria dos pacientes. A endocrinologista Alessandra Rascovski alerta que integrar esses medicamentos ao sistema de saúde exige equilíbrio entre inovação, acesso e supervisão médica rigorosa.

No mesmo dia, a Conitec abriu consulta pública para avaliar a inclusão do Wegovy no SUS com distribuição gratuita — movimento que sinaliza reconhecimento governamental da demanda crescente. O Wegovy reverteu a obesidade em metade dos voluntários em ensaios clínicos e reduziu em 20% o risco de eventos cardíacos graves. A decisão sobre sua incorporação ao sistema público, porém, ainda depende de análise de custo-efetividade e viabilidade orçamentária.

Na segunda-feira, a Anvisa deu um passo que reordena o mercado de medicamentos para perda de peso no Brasil. O Mounjaro, uma caneta injetável que contém tirzepatida, recebeu aprovação oficial para tratar obesidade — não apenas como um efeito colateral de outro tratamento, mas como indicação primária. Até então, o remédio tinha autorização apenas para diabetes tipo 2, embora fosse amplamente prescrito fora dessa indicação.

O medicamento, fabricado pela Eli Lilly, agora pode ser oferecido a pacientes obesos que apresentem pelo menos uma comorbidade associada, como hipertensão ou colesterol elevado. A aplicação é semanal, em doses de 2,5 mg e 5 mg. O que torna o Mounjaro particularmente relevante é sua eficácia: estudos demonstraram redução de até 25% do peso corporal durante o uso, o maior índice entre as terapias já aprovadas no país para esse fim. A tirzepatida funciona imitando dois hormônios ligados ao controle do apetite e da glicemia, um mecanismo mais potente que o das alternativas disponíveis.

O cenário anterior era fragmentado e preocupante. O Wegovy, que contém semaglutida, já tinha aprovação da Anvisa desde janeiro de 2023 e chegou ao mercado brasileiro apenas no segundo semestre de 2024. Ele reduz em média 20% da massa corporal em seis meses e é indicado para pacientes com índice de massa corporal acima de 30, ou acima de 27 se houver comorbidade. Mas o Ozempic, também à base de semaglutida, é aprovado exclusivamente para diabetes tipo 2 — e ainda assim é amplamente utilizado de forma off-label para emagrecimento, o que gera inquietação entre especialistas. Há ainda o Victoza e o Saxenda, com liraglutida, que reduzem cerca de 6% do peso em seis meses e são indicados para diabetes, embora mostrem efeitos na perda de peso.

A aprovação do Mounjaro reforça regras para prescrição desses injetáveis, tentando trazer ordem a um mercado que cresceu de forma desordenada. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira. Mas o acesso permanece um obstáculo significativo. Mesmo com descontos, a dose mais alta de 5 mg custa no mínimo R$ 1.800 por mês — considerando as quatro aplicações necessárias. Para muitos pacientes, esse valor é proibitivo.

A endocrinologista Alessandra Rascovski, diretora clínica da Atma Soma, observa que o futuro desses medicamentos no Brasil exige equilíbrio entre inovação, acesso e segurança. Ela ressalta a necessidade de estudos rigorosos, políticas públicas que garantam uso responsável e supervisão médica rigorosa para maximizar benefícios e minimizar riscos. Não é apenas uma questão de aprovar um remédio; é sobre como integrá-lo de forma segura e equitativa ao sistema de saúde.

Na mesma segunda-feira em que o Mounjaro foi aprovado, a Conitec — Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS — abriu uma consulta pública para avaliar a possibilidade de incluir o Wegovy no Sistema Único de Saúde, com distribuição gratuita. Essa movimentação sugere que o governo reconhece tanto a demanda quanto a importância de ampliar o acesso. O Wegovy, em ensaios clínicos, reverteu a obesidade em metade dos voluntários que fizeram uso contínuo e reduziu o risco de eventos cardíacos graves em 20%. Mas a inclusão no SUS dependerá de análise de custo-efetividade e viabilidade orçamentária — questões que ainda estão em aberto.

O futuro destes remédios no Brasil parece promissor, mas exige um equilíbrio entre inovação, acesso e segurança
— Alessandra Rascovski, endocrinologista e diretora clínica da Atma Soma
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Por que a aprovação do Mounjaro para obesidade é diferente das outras canetas que já circulam?

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Porque até agora, a maioria desses medicamentos era aprovada para diabetes e depois usada off-label para emagrecer. O Mounjaro é o segundo a receber aprovação oficial para obesidade como indicação primária — o primeiro foi o Wegovy. Mas o Mounjaro é mais potente: reduz até 25% do peso, contra 20% do Wegovy.

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E por que isso importa se as pessoas já estavam usando esses remédios mesmo sem aprovação?

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Importa porque sem aprovação oficial, não há regulação clara. Médicos prescrevem, pacientes usam, mas ninguém está monitorando efeitos adversos de forma sistemática. O Ozempic, por exemplo, é para diabetes, mas virou sinônimo de emagrecimento — e especialistas estão preocupados com esse uso descontrolado.

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Qual é a preocupação exatamente?

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Quando um medicamento é usado fora de sua indicação aprovada, os riscos não são tão bem documentados. Além disso, há questão de acesso: pessoas ricas conseguem, pessoas pobres não. E há o risco de desabastecimento global se a demanda explodir.

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O custo é realmente um problema?

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Absolutamente. A dose mais alta do Mounjaro custa R$ 1.800 por mês. Para a maioria dos brasileiros, é inacessível. Por isso a Conitec está avaliando incluir o Wegovy no SUS — seria a única forma de democratizar o acesso.

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E se isso acontecer? O SUS consegue bancar?

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Essa é a pergunta que a Conitec está tentando responder agora. Dependerá de análise de custo-efetividade e do orçamento disponível. Mas o governo parece reconhecer que obesidade é um problema de saúde pública que precisa de solução.

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