Anvisa aprova Leqembi para retardar declínio cognitivo no Alzheimer inicial

O medicamento oferece esperança a pacientes com Alzheimer inicial, potencialmente preservando qualidade de vida e autonomia cognitiva.
Retardar o declínio cognitivo em vez de apenas gerenciar sintomas
O lecanemabe representa uma mudança fundamental na abordagem terapêutica do Alzheimer inicial ao atuar na causa biológica da doença.

No limiar entre a esperança e a limitação, a Anvisa aprovou em dezembro de 2025 o Leqembi — um anticorpo que, pela primeira vez no Brasil, age sobre a causa biológica do Alzheimer e não apenas sobre seus sintomas. O medicamento, destinado a pacientes em estágio inicial da doença, representa uma inflexão no modo como a medicina brasileira poderá enfrentar uma das condições neurodegenerativas mais prevalentes do envelhecimento humano. A aprovação não resolve tudo, mas abre uma porta que antes simplesmente não existia.

  • O Alzheimer afeta milhões de brasileiros, e até agora os tratamentos disponíveis apenas amenizavam sintomas sem tocar na progressão real da doença.
  • O lecanemabe rompe esse padrão ao atacar diretamente as placas beta-amiloides no cérebro, a marca biológica central do Alzheimer.
  • Um estudo com quase 1.800 pacientes demonstrou que o medicamento desacelerou o declínio cognitivo de forma mensurável ao longo de 18 meses — resultado que convenceu a Anvisa.
  • A aprovação foi publicada no Diário Oficial em 22 de dezembro, tornando o Leqembi a primeira terapia modificadora da doença disponível legalmente no país.
  • O maior desafio agora é transformar aprovação regulatória em acesso real: preço, cobertura de planos de saúde e disponibilidade na rede pública ainda são questões abertas.

No final de dezembro de 2025, a Anvisa publicou no Diário Oficial da União a aprovação do Leqembi, medicamento baseado no anticorpo lecanemabe, destinado a pacientes com Alzheimer em estágio inicial que apresentam placas beta-amiloides confirmadas no cérebro. A decisão marca uma virada no tratamento da doença no Brasil.

O que distingue o lecanemabe dos tratamentos anteriores é seu ponto de atuação: em vez de apenas aliviar sintomas cognitivos já instalados, ele age sobre a biologia da doença, reduzindo o acúmulo das placas beta-amiloides — estruturas diretamente associadas ao declínio progressivo característico do Alzheimer. O medicamento é administrado por infusão intravenosa.

A aprovação se apoiou em evidências clínicas sólidas. Um estudo com 1.795 pacientes em fase inicial da doença comparou o lecanemabe ao placebo ao longo de 18 meses, medindo a progressão por meio da escala CDR-SB, que avalia tanto o declínio cognitivo quanto seu impacto na vida cotidiana — orientação, autocuidado, tarefas rotineiras. Os resultados mostraram que os pacientes tratados com o medicamento apresentaram progressão significativamente menor do que os do grupo controle.

Para brasileiros diagnosticados precocemente, a aprovação abre uma possibilidade concreta de intervir no curso da doença antes que o declínio se aprofunde, potencialmente preservando autonomia e qualidade de vida por mais tempo. O que ainda permanece em aberto é a questão do acesso: preço, cobertura por planos de saúde e inserção nas redes públicas e privadas de saúde são definições que os próximos meses precisarão responder.

No final de dezembro, a Anvisa tomou uma decisão que muda o cenário do tratamento do Alzheimer no Brasil. O órgão regulador aprovou o Leqembi, um medicamento baseado no anticorpo lecanemabe, destinado a pacientes diagnosticados nos estágios iniciais da doença. A aprovação saiu publicada no Diário Oficial da União no dia 22 de dezembro, abrindo caminho para uma nova abordagem terapêutica que vai além do manejo dos sintomas.

O que torna este medicamento diferente é seu mecanismo de ação. Enquanto muitos tratamentos para Alzheimer focam em aliviar os sintomas cognitivos já instalados, o lecanemabe atua na raiz biológica da doença: reduz as placas beta-amiloides que se acumulam no cérebro. Essas placas são a marca registrada do Alzheimer, e sua presença está diretamente ligada ao declínio cognitivo progressivo. O medicamento é administrado como uma solução para infusão, o que significa que os pacientes receberão o tratamento por via intravenosa.

A aprovação não foi baseada em promessas teóricas. A Anvisa avaliou dados de um estudo clínico robusto que envolveu 1.795 pessoas diagnosticadas com Alzheimer em fase inicial, todas com presença confirmada de placas beta-amiloides no cérebro. Metade recebeu o lecanemabe, metade recebeu placebo. O acompanhamento durou 18 meses, período em que os pesquisadores mediram a progressão da doença usando a escala CDR-SB, um instrumento que avalia não apenas o declínio cognitivo em si, mas como esse declínio afeta a vida diária do paciente — sua capacidade de se cuidar, de se orientar no tempo e no espaço, de realizar tarefas rotineiras.

Os resultados foram significativos. Entre os 1.521 pacientes analisados no subgrupo principal do estudo, aqueles que receberam o novo medicamento apresentaram um aumento menor na pontuação CDR-SB em comparação com o grupo que recebeu placebo. Em termos práticos, isso significa que o lecanemabe retardou o declínio cognitivo — não o deteve completamente, mas o desacelerou de forma mensurável ao longo de um ano e meio.

Para os pacientes brasileiros diagnosticados precocemente com Alzheimer, a aprovação representa uma mudança real nas opções disponíveis. Até agora, o tratamento se concentrava em tentar gerenciar os sintomas já presentes. Agora existe a possibilidade de intervir no processo patológico subjacente, potencialmente preservando a função cognitiva e a autonomia por mais tempo. A questão que permanece em aberto é como essa aprovação se traduzirá em acesso real — questão de preço, cobertura de seguros e disponibilidade nas redes de saúde que ainda precisam ser definidas nos próximos meses.

A principal medida de eficácia foi a mudança nos sintomas após 18 meses, avaliada pela escala CDR-SB
— Anvisa
Pacientes tratados com o novo medicamento apresentaram um aumento menor na pontuação CDR-SB do que aqueles que receberam placebo
— Estudo clínico analisado pela Anvisa
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que essa aprovação importa agora, especificamente? Não havia outras opções?

Model

Havia, mas eram limitadas. Os medicamentos anteriores tratavam sintomas — ajudavam a memória a funcionar um pouco melhor por um tempo. Este ataca a causa biológica, as placas que destroem as células cerebrais.

Inventor

E o estudo provou que funciona de verdade?

Model

Provou que retarda. Não é cura. Mas em 18 meses, as pessoas que tomaram o medicamento declinaram mais lentamente do que as que não tomaram. É a diferença entre perder a autonomia em dois anos ou em três.

Inventor

Quem pode tomar?

Model

Apenas quem está no início — demência leve, com as placas confirmadas no cérebro. Se você espera até estar avançado, não funciona. Por isso o diagnóstico precoce virou crítico.

Inventor

Qual é o grande obstáculo agora?

Model

Acesso. A aprovação regulatória é um passo. Mas quanto custa? Os planos cobrem? Quantos hospitais têm infraestrutura para infusão? Essas respostas ainda não existem.

Inventor

Então para muitos brasileiros, essa aprovação ainda é uma promessa distante?

Model

Exatamente. É real para quem pode pagar ou tem cobertura. Para o resto, é esperança em papel.

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