O etanol finalmente voltou a oferecer vantagem real ao consumidor
Em fevereiro de 2022, Goiás tornou-se o único estado brasileiro onde o etanol voltou a ser financeiramente vantajoso frente à gasolina, encerrando um longo período de desvantagem generalizada do biocombustível em todo o país. Com uma paridade de 69,99% — abaixo do limiar técnico de 70% que define a competitividade do etanol —, o estado sinalizou uma virada discreta, mas simbólica, num mercado que ainda carrega o peso de meses adversos. O movimento em Goiás não é apenas um dado de preço: é um lembrete de que as transições energéticas acontecem primeiro nas margens, antes de chegarem ao centro.
- Após meses em que o etanol perdeu a disputa de preços em todos os estados, Goiás rompeu a barreira dos 70% de paridade, tornando-se o único lugar do país onde o biocombustível voltou a compensar financeiramente.
- A média nacional de paridade ainda está em 72,45%, o que significa que a maioria dos consumidores brasileiros continua pagando mais caro ao escolher o etanol em vez da gasolina.
- Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo se aproximam do limite crítico de 70%, sugerindo que o mercado está em movimento e que outros estados podem cruzar essa linha em breve.
- Executivos do setor alertam que a regra dos 70% não é absoluta: motores que aproveitam melhor o etanol podem torná-lo vantajoso mesmo com paridade ligeiramente superior, dependendo do veículo.
Depois de meses em que o etanol perdeu a batalha de preços em todos os estados brasileiros, fevereiro de 2022 trouxe uma primeira virada: Goiás registrou paridade de 69,99%, cruzando o limiar técnico que define quando o biocombustível é realmente vantajoso para o consumidor. O número pode parecer árido, mas tem consequência direta no bolso — abaixo de 70%, o etanol sai mais barato do que a gasolina na prática do dia a dia.
A lógica por trás desse limite está na física do combustível: o etanol tem menor poder calorífico por litro, o que significa que o motor precisa de mais dele para percorrer a mesma distância. Por isso, analistas estabeleceram que o biocombustível só compensa quando custa, no máximo, 70% do preço da gasolina. Goiás chegou lá — ainda que por margem estreita.
Outros estados se aproximavam da linha de corte: Mato Grosso atingiu 70,78%, enquanto Minas Gerais e São Paulo ficaram em 71,71%. Mesmo assim, a média nacional permanecia em 72,45%, segundo levantamento da ANP compilado pela AE-Taxas, indicando que, para a maior parte dos consumidores, a gasolina ainda era a opção mais econômica.
Executivos do setor de biocombustíveis, no entanto, defendiam uma leitura mais nuançada. Para eles, o etanol poderia ser competitivo mesmo com paridade um pouco acima de 70%, pois certos motores extraem mais energia do biocombustível — tornando-o vantajoso mesmo quando os preços não favorecem tão claramente. A escolha, no fim, dependia tanto do mercado quanto do carro que cada um dirigia.
Depois de meses inteiros vendo o etanol perder a batalha de preços em todos os cantos do país, a maré começou a virar em Goiás. Na semana de fevereiro de 2022, o biocombustível finalmente voltou a oferecer uma vantagem real ao consumidor — o primeiro Estado a conseguir isso desde que os preços começaram a trabalhar contra ele. A paridade chegou a 69,99%, um número que pode parecer técnico demais, mas que significa algo bem concreto: o etanol ficou mais barato que a gasolina, e pela primeira vez em muito tempo.
Para entender por que isso importa, é preciso conhecer a regra do jogo. O etanol tem menos energia por litro do que a gasolina — seu poder calorífico é menor. Por isso, os analistas estabeleceram um limite: o etanol só é realmente vantajoso quando custa no máximo 70% do preço da gasolina. Abaixo disso, você sai ganhando. Acima, você perde. Goiás cruzou essa linha mágica, ainda que por uma margem apertada.
Mas o Estado não estava sozinho na aproximação. Mato Grosso chegou a 70,78% de paridade, enquanto Minas Gerais e São Paulo ficaram em 71,71%. Todos eles perto demais da linha de corte, sinalizando que o mercado estava se movimentando. Na média dos postos pesquisados em todo o Brasil, porém, a paridade ainda estava em 72,45% — o que significa que, para a maioria dos consumidores, a gasolina continuava sendo a escolha mais econômica.
Os dados vinham da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP, que acompanha essas flutuações com precisão. O levantamento foi compilado pela AE-Taxas, que monitora o mercado de combustíveis de perto. O que se via era um mercado em transição, com o etanol ganhando terreno em alguns lugares enquanto ainda lutava em outros.
Executivos do setor de biocombustíveis, porém, ofereciam uma perspectiva ligeiramente diferente. Segundo eles, o etanol poderia ser considerado competitivo mesmo com uma paridade um pouco acima de 70% — talvez em torno de 71% ou 72%. A razão era simples: nem todos os carros são iguais. Alguns motores aproveitam melhor o etanol, extraem mais energia dele. Para esses veículos, o biocombustível poderia fazer sentido mesmo com preços um pouco mais altos. Era uma questão de saber qual carro você dirigia e como ele se comportava na estrada.
Citas Notables
Executivos do setor indicam que o etanol pode ser competitivo com paridade um pouco acima de 70%, dependendo do veículo utilizado— Setor de biocombustíveis
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Goiás conseguiu chegar a esse patamar quando o resto do país não conseguiu?
É uma combinação de fatores locais — produção regional, custos de distribuição, dinâmica de oferta e demanda. Goiás é um grande produtor de cana-de-açúcar, então há mais etanol disponível lá, o que pressiona os preços para baixo.
Esse número de 70% — por que exatamente esse limite?
Porque o etanol tem menos energia que a gasolina. Se você colocar um litro de etanol no tanque, ele rende menos quilômetros do que um litro de gasolina. Então você precisa de um desconto de preço para compensar essa desvantagem energética.
Mas os executivos estão dizendo que 70% pode não ser o número certo.
Exatamente. Eles reconhecem que a realidade é mais nuançada. Um carro novo, com motor otimizado para etanol, pode aproveitar melhor o combustível. Para esse proprietário, talvez 72% de paridade ainda seja um bom negócio.
Então o que muda agora que Goiás cruzou essa linha?
Sinaliza que o mercado está se movimentando. Se outros Estados começarem a acompanhar, você pode ver uma mudança real no comportamento do consumidor — mais gente voltando a abastecer com etanol.
E a média nacional em 72,45% — isso significa que a maioria das pessoas ainda está perdendo?
Sim. Para a maioria dos consumidores, em quase todos os lugares, a gasolina continua sendo a escolha mais econômica. Goiás é uma exceção, não a regra.