Etanol segue mais competitivo que gasolina em quatro Estados

Etanol pode ser competitivo mesmo acima de 70%, depende do veículo
Executivos do setor etanoleiro apontam que a vantagem econômica do biocombustível varia conforme a eficiência do motor.

Em um país que construiu parte de sua identidade energética sobre a cana-de-açúcar, o etanol volta a demonstrar sua relevância econômica: na primeira semana de julho de 2022, quatro Estados brasileiros — Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo — mantinham o biocombustível abaixo do limiar de competitividade de 70% em relação à gasolina, com a média nacional chegando a 66,27%. A escolha entre combustíveis, aparentemente técnica, revela tensões mais profundas sobre soberania energética, custo de vida e a complexa relação do Brasil com seus próprios recursos.

  • Com a gasolina pressionando o bolso dos brasileiros, o etanol surge como alternativa concreta em pelo menos quatro Estados, onde seu preço fica confortavelmente abaixo do limite de 70% que define sua vantagem econômica.
  • Mato Grosso lidera a competitividade com paridade de apenas 60,88%, enquanto Goiás, Minas Gerais e São Paulo também ficam abaixo dos 66%, segundo levantamento da ANP.
  • A média nacional de 66,27% indica que a vantagem do etanol não é fenômeno regional isolado, mas uma tendência de alcance amplo no território brasileiro.
  • Executivos do setor alertam que o limite de 70% não é absoluto: veículos mais modernos podem tornar o etanol vantajoso mesmo quando a paridade ultrapassa esse patamar, complicando a decisão do consumidor.

Na primeira semana de julho de 2022, o etanol mantinha vantagem econômica sobre a gasolina em quatro Estados brasileiros: Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo. Os dados, levantados pela ANP e compilados pela AE-Tax, confirmavam que o biocombustível estava suficientemente barato para compensar sua menor eficiência energética em relação ao derivado de petróleo.

A lógica por trás da comparação é técnica, mas direta: como o etanol possui menor poder calorífico, ele só é economicamente vantajoso quando custa no máximo 70% do preço da gasolina — abaixo desse limite, o motorista percorre mais quilômetros pelo mesmo dinheiro. Em Mato Grosso, a paridade chegou a 60,88%; em Goiás, 65,2%; em Minas Gerais, 65,69%; e em São Paulo, 65,58% — todos bem abaixo do teto.

No conjunto do País, a paridade média foi de 66,27%, sinalizando que a competitividade do etanol não se restringia a regiões específicas, mas se espalhava de forma significativa pelo território nacional.

Havia, porém, uma ressalva do próprio setor: o limite de 70% não é uma fronteira rígida para todos os casos. Dependendo do veículo — especialmente os mais modernos e eficientes —, o etanol pode ser vantajoso mesmo com paridade um pouco acima desse patamar, tornando a decisão do consumidor mais complexa do que os números brutos sugerem.

Na semana de primeiro de julho de 2022, o etanol continuava a oferecer melhor custo-benefício que a gasolina em quatro Estados brasileiros. Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo apresentavam preços do biocombustível suficientemente baixos para justificar seu uso em vez do derivado de petróleo. Os dados vinham de um levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP, compilado pela agência de notícias AE-Tax.

O critério que define essa vantagem é simples, mas técnico. Como o etanol — seja de cana ou de milho — possui menor poder calorífico que a gasolina, ele precisa custar no máximo 70% do preço da gasolina para ser considerado economicamente atrativo. Abaixo desse patamar, o motorista gasta menos dinheiro por quilômetro rodado, compensando a menor eficiência energética do combustível.

Os números mostravam essa realidade em cada um dos quatro Estados. Em Goiás, o etanol estava a 65,2% do preço da gasolina. Em Mato Grosso, a paridade chegava a 60,88%. Minas Gerais registrava 65,69%, enquanto São Paulo apresentava 65,58%. Todos esses percentuais ficavam confortavelmente abaixo do limite de 70%, sinalizando que o biocombustível era a escolha mais econômica para o consumidor.

Na média de todos os postos pesquisados em todo o País, o etanol estava com paridade de 66,27% em relação à gasolina. Esse número nacional reforçava a tendência: o biocombustível era mais competitivo que o derivado de petróleo em uma escala significativa, não apenas em bolsões isolados do território.

Mas havia uma nuance importante que os executivos do setor etanoleiro queriam deixar clara. Segundo eles, o etanol podia ser vantajoso mesmo quando sua paridade ultrapassava o limite de 70%. Tudo dependia do veículo específico em que o combustível era utilizado. Alguns carros, particularmente os mais modernos e eficientes, conseguiam extrair melhor rendimento do etanol, tornando-o competitivo mesmo em condições de preço menos favoráveis. Essa observação abria espaço para uma discussão mais matizada sobre quando, exatamente, o etanol deixava de ser a melhor opção econômica para o motorista.

Executivos do setor afirmam que o etanol pode ser competitivo com paridade maior do que 70% a depender do veículo em que o biocombustível é utilizado
— Executivos do setor etanoleiro
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o etanol precisa custar menos que a gasolina se tem menos energia?

Model

Porque você queima mais combustível para percorrer a mesma distância. Se o etanol custa 70% do preço da gasolina, você gasta 30% menos dinheiro apesar de usar mais litros.

Inventor

E esses quatro Estados — Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo — têm algo em comum?

Model

São regiões produtoras de cana-de-açúcar ou próximas a usinas. Quanto mais perto da origem, menores os custos de distribuição, e isso aparece no preço final.

Inventor

Mas os executivos dizem que 70% não é uma regra fixa. Como assim?

Model

Porque nem todos os carros consomem etanol da mesma forma. Um carro flex mais novo, com motor otimizado, consegue rodar mais quilômetros por litro de etanol. Para esse carro, o combustível pode valer a pena mesmo a 75% ou 80% do preço da gasolina.

Inventor

Então o consumidor precisa conhecer seu próprio carro para tomar a decisão certa?

Model

Exatamente. A paridade de 70% é um guia geral, mas a realidade é mais granular. Depende do modelo, da idade do veículo, até do modo como você dirige.

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