Americanas vende Imaginarium e Puket por R$ 152 milhões para BandUP!

O dinheiro que entra pela porta da venda sai pela porta das dívidas.
A Americanas usa receita de venda de marcas para pagar dívidas da recuperação judicial iniciada em 2023.

Em julho de 2026, a Americanas deu mais um passo em sua longa travessia pela recuperação judicial ao vender as marcas Imaginarium e Puket para a BandUP! por R$ 152 milhões — dinheiro que, antes mesmo de esquentar, foi direcionado ao abatimento de dívidas herdadas de um colapso contábil de proporções históricas. A operação ilustra a equação cruel que define empresas em crise: cada ativo vendido é menos um tijolo na parede, e o que entra pela porta da venda sai imediatamente pela porta das obrigações. Ao fundo, a Polícia Federal avança em suas investigações sobre quem construiu — e quem sabia da existência de — uma ilusão financeira avaliada em dezenas de bilhões de reais.

  • A Americanas, ainda sob o peso de um rombo contábil que a perícia já estima em R$ 54 bilhões, precisou desfazer-se de marcas consolidadas para honrar compromissos com credores.
  • Os R$ 20 milhões recebidos de imediato foram consumidos pelas despesas da própria venda e pelo pagamento antecipado de debêntures, sem gerar folga operacional real para a empresa.
  • O restante — R$ 132 milhões — chegará em cinco parcelas anuais corrigidas pelo CDI, tornando a recuperação financeira um processo lento e dependente do tempo.
  • A segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada pela Polícia Federal dias antes do negócio, mira acionistas de referência e executivos ligados à fraude que detonou a crise em janeiro de 2023.
  • Enquanto a empresa afirma colaborar com as investigações, as perguntas sobre responsabilidade permanecem abertas — e o processo judicial segue como pano de fundo de cada decisão corporativa.

A Americanas vendeu as marcas Imaginarium e Puket para a BandUP! por R$ 152 milhões em julho de 2026, em mais um movimento de seu plano de recuperação judicial. Dos valores recebidos, R$ 20 milhões chegaram imediatamente e foram usados para cobrir custos da operação e amortizar antecipadamente parte da vigésima segunda emissão de debêntures não conversíveis. O restante será pago em cinco parcelas anuais corrigidas pelo CDI, a partir de um ano após o fechamento do negócio.

A venda só faz sentido à luz da crise que sacudiu a varejista em janeiro de 2023, quando a empresa revelou inconsistências contábeis superiores a R$ 20 bilhões — resultado de operações com fornecedores registradas de forma fraudulenta, que criavam uma aparência de saúde financeira inexistente. A descoberta levou a Americanas à recuperação judicial. Laudos periciais posteriores elevaram o prejuízo estimado para R$ 54 bilhões.

Desde então, a empresa vem vendendo ativos e renegociando dívidas para tentar reequilibrar suas finanças. Mas o cenário é agravado pelo avanço das investigações criminais: na semana anterior à venda, a Polícia Federal iniciou a segunda fase da Operação Disclosure, mirando Paulo Alberto Lemann, Carlos Alberto da Veiga Sicupira, Eduardo Saggioro Garcia e outros ligados a instituições financeiras que se relacionavam com a companhia.

A Americanas afirmou não ter sido alvo direto da operação e reiterou sua disposição de colaborar com as autoridades. Os acionistas de referência fizeram o mesmo, dizendo cooperar desde o dia em que tomaram conhecimento das fraudes. O dinheiro da venda das marcas, portanto, entra e sai quase simultaneamente — enquanto as perguntas sobre responsabilidade continuam sendo feitas em salas de investigação.

A Americanas vendeu as marcas Imaginarium e Puket para a BandUP! por cento e cinquenta e dois milhões de reais. O negócio, fechado em julho de 2026, representa mais um passo na longa caminhada da varejista para sair do buraco financeiro em que caiu três anos e meio antes.

Da quantia total, vinte milhões chegaram imediatamente aos cofres da empresa. Esse dinheiro não foi para os bolsos dos acionistas ou para investimentos novos. Serviu para cobrir as despesas da própria venda e, principalmente, para fazer um pagamento antecipado de parte de uma dívida de longo prazo — especificamente, a vigésima segunda emissão de debêntures não conversíveis em ações. Era dinheiro destinado a reduzir o peso das obrigações financeiras que a Americanas carregava. O restante do valor será recebido em cinco parcelas anuais, iguais e sucessivas, começando um ano após o fechamento da operação. Cada parcela será corrigida pela taxa CDI, o índice que reflete o custo do dinheiro no mercado financeiro brasileiro.

Essa venda faz sentido apenas dentro do contexto de uma crise que abalou a empresa profundamente. Em janeiro de 2023, a Americanas revelou que havia descoberto inconsistências contábeis gigantescas em seus registros financeiros. O rombo inicial estimado era superior a vinte bilhões de reais. Tratava-se de operações com fornecedores que haviam sido contabilizadas de forma fraudulenta, criando uma ilusão de saúde financeira que nunca existiu. A descoberta desencadeou uma crise institucional imediata. A empresa entrou em recuperação judicial, um processo legal que permite a uma companhia em dificuldades renegociar suas dívidas com credores sob supervisão do tribunal.

Desde então, a Americanas vem executando um plano de recuperação que inclui vender ativos — como as marcas que agora foram para a BandUP! — e renegociar suas obrigações. O objetivo é simples: reduzir o endividamento e reequilibrar as contas. Mas a situação é mais grave do que os números iniciais sugeriram. Segundo laudos técnicos periciais divulgados meses depois, o prejuízo real já havia alcançado cinquenta e quatro bilhões de reais.

Enquanto a empresa tenta se recuperar através de vendas de ativos, a Polícia Federal intensificou suas investigações. Na semana anterior à venda da Imaginarium e Puket, a PF iniciou a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude contábil. Os investigadores apontaram como alvos Paulo Alberto Lemann — filho do bilionário Jorge Paulo Lemann, um dos principais acionistas da Americanas —, Carlos Alberto da Veiga Sicupira, Eduardo Saggioro Garcia e outros nomes ligados a instituições financeiras que mantinham relacionamento com a companhia.

A Americanas, em nota oficial, afirmou que não foi alvo direto da operação policial. A empresa disse que seguiria colaborando com as investigações. Os acionistas de referência, por sua vez, emitiram um comunicado dizendo que entendem a operação como parte natural das apurações em andamento e reiteraram seu compromisso de colaborar plenamente com as autoridades competentes para esclarecer os fatos. Segundo o documento, eles vêm cooperando desde onze de janeiro de 2023, quando tiveram conhecimento das fraudes contábeis.

A venda da Imaginarium e Puket, portanto, ocorre em um cenário complexo: uma empresa tentando se recuperar financeiramente através da alienação de marcas, enquanto investigações criminais avançam sobre os nomes que estavam no topo da estrutura de poder. O dinheiro que entra pela porta da venda sai pela porta das dívidas. E as perguntas sobre quem sabia o quê, e quando souberam, continuam sendo feitas em salas de investigação.

Os acionistas de referência entendem que a operação integra o curso regular das apurações em andamento e reiteram seu compromisso de colaborar plenamente com as autoridades competentes
— Comunicado oficial dos acionistas de referência da Americanas
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a Americanas precisava vender marcas como Imaginarium e Puket agora? Não poderia ter esperado por um melhor preço?

Model

Quando você está em recuperação judicial, não tem o luxo de esperar. Os credores estão respirando no seu pescoço. O plano de recuperação exige que você mostre progresso — que está gerando caixa, reduzindo dívida. A Imaginarium e Puket eram ativos valiosos, mas não eram o core business. Vender rápido, mesmo que não seja o preço ideal, é melhor do que deixar o processo se arrastar.

Inventor

Mas vinte milhões de cento e cinquenta e dois é apenas treze por cento. Por que o resto foi dividido em cinco parcelas?

Model

Porque ninguém tem cento e trinta e dois milhões de reais para desembolsar de uma vez. A BandUP! é uma empresa, não um banco. Eles estruturaram o pagamento de forma que ambos os lados pudessem respirar. E para a Americanas, receber em parcelas corrigidas pelo CDI significa que o valor não perde poder de compra ao longo do tempo.

Inventor

O que mais preocupa você nessa história — a fraude contábil ou a investigação criminal?

Model

São a mesma coisa. A fraude é o crime. A investigação é a tentativa de descobrir quem fez o quê. O que preocupa é que os nomes que estão sendo investigados — Lemann, Sicupira, Garcia — são pessoas muito poderosas. Se houve fraude, ela não foi feita por um contador sozinho em um canto. Alguém no topo tinha que saber.

Inventor

A Americanas diz que não foi alvo da operação. Isso significa que está limpa?

Model

Significa que a empresa como entidade legal não está sendo acusada. Mas as pessoas que a controlavam estão sendo investigadas. É uma distinção importante, mas frágil. Se os investigadores provarem que havia fraude deliberada no topo, fica difícil dizer que a empresa não sabia.

Inventor

Cinquenta e quatro bilhões de reais de prejuízo. Como se recupera disso?

Model

Honestamente? Não se recupera completamente. Você vende o que pode vender, negocia com credores, tira custos, tenta voltar a ser rentável. Mas um buraco desse tamanho deixa cicatrizes. A Americanas pode sobreviver, mas nunca será o que era.

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