Ambev cai 2,5% após eliminação do Brasil frustrar expectativas de vendas de cerveja

A ausência de crescimento que teria ocorrido se as equipes tivessem avançado
Como analistas do Morgan Stanley descrevem o impacto das eliminações precoces nas vendas de cerveja esperadas.

Quando o Brasil caiu diante da Noruega de Haaland e o México sucumbiu à Inglaterra, o impacto não ficou restrito às arquibancadas — ele se propagou até as bolsas de valores, onde as ações das maiores cervejarias do mundo recuaram. O que os analistas do Morgan Stanley haviam projetado como um ciclo de consumo crescente ao longo de semanas de Copa do Mundo transformou-se, de repente, em ausência: ausência de bares lotados, de rodadas celebradas, de vendas incrementais que nunca chegarão. É um lembrete de que o esporte, além de paixão coletiva, é também infraestrutura econômica — e que sua interrupção tem consequências que vão muito além do placar.

  • A eliminação do Brasil pela Noruega e do México pela Inglaterra derrubou não apenas seleções, mas as projeções de consumo de cerveja que sustentavam as expectativas do mercado para o terceiro trimestre.
  • AB InBev recuou mais de 4% em Bruxelas, Ambev caiu 2,5% em São Paulo, Heineken perdeu 1,4% em Amsterdã e Constellation Brands atingiu seu menor valor desde novembro — o impacto se espalhou por toda a indústria.
  • O Morgan Stanley apontou a AB InBev como a empresa 'mais exposta', dado o peso de suas operações no Brasil e no México, dois dos maiores mercados cervejeiros da América Latina.
  • Analistas evitam falar em catástrofe, mas descrevem o cenário como 'ausência de crescimento incremental' — um boom que estava precificado e que simplesmente não acontecerá.
  • Os olhos do mercado se voltam agora para os Estados Unidos, responsáveis por 20% da receita da AB InBev, com a esperança de que um avanço da seleção americana possa compensar parcialmente as perdas latino-americanas.

Na segunda-feira, a eliminação do Brasil pela Noruega — com dois gols de Erling Haaland — e a queda do México diante da Inglaterra chegaram às bolsas de valores antes mesmo que a poeira das arquibancadas baixasse. AB InBev recuou mais de 4% em Bruxelas, Ambev fechou em queda de 2,5% em São Paulo, e a Heineken perdeu 1,4% em Amsterdã. A Constellation Brands, distribuidora de Corona e Modelo nos EUA, atingiu seu menor patamar desde novembro.

A lógica era simples: analistas do Morgan Stanley, liderados por Sarah Simon, haviam construído suas projeções para o terceiro trimestre sobre a premissa de que quanto mais longe Brasil e México avançassem, mais cerveja seria consumida. Semanas de jogos significam bares cheios, celebrações sucessivas e vendas em alta. Com as duas seleções fora, esse ciclo foi interrompido antes de começar.

O Morgan Stanley identificou a AB InBev como a empresa 'mais exposta' ao cenário, dada a relevância de suas operações nos dois países eliminados. Os analistas foram cuidadosos: não se tratava de perdas catastróficas, mas de 'ausência de crescimento incremental' — um aumento de vendas que estava precificado e que não se materializará.

A atenção do mercado se voltou então para os Estados Unidos, que enfrentaria a Bélgica naquele mesmo dia. Cerca de 20% da receita da AB InBev vem do mercado americano, e um avanço da seleção poderia oferecer alguma compensação. Os analistas, porém, eram cautelosos: o futebol tem raízes mais rasas nos EUA, e o impacto de torneios longos sobre o consumo de cerveja é menos previsível por lá. Se seria suficiente para recuperar o que se perdera nas ruas de São Paulo e da Cidade do México, ninguém sabia ao certo.

Na segunda-feira, quando o Brasil caiu eliminado da Copa do Mundo pela Noruega — dois gols de Erling Haaland — as ruas do país acordaram para uma derrota que ia além do futebol. Nas bolsas de valores, as ações das maiores cervejarias do mundo começaram a cair. A AB InBev, fabricante da Corona e da Skol, recuou mais de 4% em Bruxelas. A Heineken caiu 1,4% em Amsterdã. A Ambev, subsidiária brasileira da AB InBev, fechou em queda de 2,5% em São Paulo. Não era apenas uma questão de torcedores desapontados. Era dinheiro.

Analistas do Morgan Stanley, liderados por Sarah Simon, haviam construído suas projeções de vendas para o terceiro trimestre na América Latina sobre uma premissa simples: quanto mais longe o Brasil e o México avançassem na competição, mais cerveja as pessoas beberiam. Torneios de longa duração, com sucessivas rodadas de jogos, geram picos de consumo. Uma final em 19 de julho teria significado semanas de celebrações, de bares lotados, de vendas em alta. Mas a Seleção Brasileira foi eliminada no domingo, e o México caiu para a Inglaterra em um jogo de cinco gols no Estádio Azteca. O boom de consumo que os analistas esperavam simplesmente não aconteceria.

A AB InBev, segundo o Morgan Stanley, era a empresa "mais exposta" a esse cenário. Suas operações no Brasil e no México representam mercados cervejeiros de peso considerável. A Heineken também tinha exposição significativa. Mas havia mais. A Constellation Brands, que distribui Corona e Modelo nos Estados Unidos, fechou com queda de 4,9%, atingindo seu menor valor desde novembro. A Boston Beer e a Molson Coors também sofreram quedas. O impacto se propagou por toda a indústria.

Os analistas do Morgan Stanley foram cuidadosos em sua linguagem. Não falavam de perdas catastróficas, mas de "ausência de crescimento incremental". Se o Brasil tivesse avançado mais, se o México tivesse chegado mais longe, haveria um aumento adicional nas vendas que agora não ocorreria. Para Simon e sua equipe, o impacto da eliminação do Brasil seria provavelmente maior do que o do México, simplesmente porque o mercado cervejeiro brasileiro é maior e as expectativas para a Copa do Mundo no país eram mais altas.

Esta é a primeira vez desde 1990 que o Brasil não chega às quartas de final da Copa do Mundo. Naquela ocasião, foi derrotado pela Argentina de Diego Maradona. Agora, a conversa nas bolsas se voltava para os Estados Unidos, que enfrentaria a Bélgica ainda naquele mesmo dia. Cerca de 20% da receita da AB InBev vem do mercado americano. Se a seleção dos EUA continuasse avançando, poderia haver alguma compensação para as perdas na América Latina. Mas os analistas eram cautelosos. O futebol tem uma história mais curta nos Estados Unidos. O benefício de vendas de cerveja em torneios longos é menos testado lá. Poderia ser uma surpresa positiva se a equipe progredisse, especialmente considerando o tamanho do mercado cervejeiro americano. Mas ninguém sabia ao certo se seria suficiente para recuperar o que se perdera nas ruas de São Paulo e da Cidade do México.

Acreditamos que a maior parte do aumento no volume de vendas de cerveja se deve a jogos com uma longa sequência de jogos
— Analistas do Morgan Stanley, liderados por Sarah Simon
Consideramos esse impacto negativo principalmente como uma ausência de crescimento incremental que teria ocorrido se qualquer uma das equipes tivesse avançado mais na competição
— Morgan Stanley
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a eliminação de um time de futebol afeta tanto o preço das ações de uma cervejaria?

Model

Porque cerveja e futebol estão ligados no consumo. Quando há jogos, especialmente em sequência, as pessoas bebem mais. Uma Copa do Mundo é semanas de oportunidade. O Brasil e o México foram eliminados cedo, então não há mais aqueles jogos que trazem multidões aos bares.

Inventor

Mas isso é realmente tão significativo para os números de uma empresa?

Model

Para o terceiro trimestre, sim. Os analistas do Morgan Stanley acreditam que a maior parte do aumento de volume de cerveja vem de períodos com muitos jogos seguidos. Uma final em julho teria sido semanas de picos. Agora não há isso.

Inventor

A AB InBev é realmente tão dependente desses dois mercados?

Model

É a mais exposta, segundo os analistas. Cerca de 20% da receita vem dos EUA, mas o Brasil e o México são mercados cervejeiros enormes. Perder ambos no mesmo fim de semana é um golpe concentrado.

Inventor

Então tudo depende agora do desempenho dos Estados Unidos?

Model

Parcialmente. Se os EUA avançarem longe, pode haver alguma compensação. Mas o futebol é mais novo lá, então não está claro se o consumo de cerveja durante a Copa funciona da mesma forma.

Inventor

Qual é o tamanho real dessa perda?

Model

Não é uma perda de receita já realizada. É a ausência de crescimento que teria acontecido. Se o Brasil tivesse chegado à final, haveria semanas de vendas extras. Agora não há. É dinheiro que não será ganho.

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