Um homem reconhecido por contribuir à cidade agora é investigado por desacreditá-la
Há uma ironia silenciosa quando o reconhecimento público e a suspeita criminal habitam o mesmo nome. Thiago Miranda, publicitário que recebeu o título de cidadão benemérito de Brasília por supostos serviços à sociedade, tornou-se o único alvo da décima fase da Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que o suspeita de coordenar campanhas digitais para desacreditar o Banco Central e intimidar jornalistas. O caso levanta questões antigas sobre o peso das honrarias institucionais e sobre o que, afinal, uma cidade escolhe celebrar.
- A Polícia Federal aponta Miranda como possível articulador de uma organização criminosa dedicada a atacar instituições públicas nas redes sociais e monitorar autoridades.
- Um influenciador de São Paulo revelou ter recebido R$ 7,8 mil por uma única postagem contra o Banco Central, com o pagamento rastreado até a empresa de Miranda.
- Jornalistas foram alvo de intimidação e monitoramento sistemático, segundo os investigadores, elevando o caso além do campo publicitário para o da liberdade de imprensa.
- Miranda nega as acusações: afirma que seu trabalho era reconstruir a imagem do dono do Banco Master, não atacar órgãos do Estado.
- A Câmara do Distrito Federal, que concedeu a honraria, permanece em silêncio sobre os critérios que levaram à distinção do agora investigado.
Thiago Miranda carregava um título raro: cidadão benemérito de Brasília, honraria reservada a quem presta serviços relevantes à sociedade. A proposta havia sido do deputado Pepa, do Progressistas, então líder do governo Ibaneis Rocha na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
O cenário mudou radicalmente na quinta-feira, 9 de julho, quando Miranda se tornou o único alvo da décima fase da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal o suspeita de coordenar uma campanha organizada em redes sociais para comprometer a credibilidade e a atuação do Banco Central — ações que, segundo os investigadores, fazem parte de uma possível organização criminosa dedicada também a intimidar jornalistas e obter informações sigilosas.
Publicitário e dono da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi, ele se apresenta ainda como fundador do portal Léo Dias. A investigação aponta que teria contratado influenciadores digitais para defender o Banco Master e atacar o Banco Central de forma coordenada, durante o processo que culminou na liquidação da instituição. Um criador de conteúdo de São Paulo confirmou ter recebido R$ 7,8 mil por uma única postagem crítica ao BC, publicada em dezembro, com pagamento oriundo da empresa de Miranda.
Quando depôs à PF em março, Miranda negou ter contratado influenciadores para atacar autoridades. Disse que o trabalho visava reconstruir a imagem do dono do Banco Master. Sua defesa reforçou que ele não cometeu qualquer ilegalidade.
O contraste permanece exposto: o mesmo homem celebrado por Brasília agora é investigado por suspeita de coordenar ataques a instituições públicas. A Câmara do Distrito Federal não respondeu sobre os critérios que motivaram a concessão da honraria.
Thiago Miranda recebeu em algum momento do passado um título que Brasília costuma conceder a pessoas que deixam marca na cidade. A honraria de cidadão benemérito é reservada para quem presta serviços relevantes à sociedade ou se destaca em sua área, contribuindo para o desenvolvimento social, cultural ou esportivo da capital, conforme os critérios da Câmara Legislativa do Distrito Federal. A proposta veio do deputado Pepa, do Progressistas, que na época era líder do governo Ibaneis Rocha.
Agora, porém, Miranda enfrenta acusações bem diferentes. Na quinta-feira, 9 de julho, ele se tornou o único alvo da décima fase da Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que o suspeita de coordenar uma campanha em redes sociais para prejudicar a reputação e a atuação do Banco Central. Os investigadores trabalham com a hipótese de que existe uma organização criminosa por trás dessas ações, dedicada também a intimidar jornalistas, monitorar pessoas ligadas a autoridades e obter informações que deveriam permanecer sigilosas.
Miranda é publicitário e dono da Miranda Comunicação, conhecida também como Agência MiThi. Ele também se apresenta nas redes sociais como fundador e sócio do portal de notícias Léo Dias. Segundo a investigação, ele teria contratado influenciadores digitais para defender o Banco Master e, simultaneamente, atacar o Banco Central de forma coordenada. Isso ocorreu durante o processo que levou à liquidação do Master.
Em janeiro deste ano, a reportagem revelou detalhes desse esquema. Um criador de conteúdo de São Paulo, que pediu para não ser identificado, contou que recebeu R$ 7,8 mil por uma única postagem criticando o Banco Central, publicada em dezembro. Segundo ele, o pagamento saiu da empresa de Miranda. Depois dessa publicação, o influenciador recusou uma proposta para um contrato de três meses que continuaria com o mesmo tipo de conteúdo.
Quando depôs à Polícia Federal em março, Miranda negou ter contratado influenciadores para atacar autoridades ou órgãos do Estado. Ele afirmou que o trabalho realizado era voltado para a reconstrução da imagem do dono do Banco Master. Sua defesa divulgou uma nota negando que ele tenha cometido qualquer ilegalidade.
O contraste é notável: um homem que recebeu reconhecimento oficial por contribuir ao desenvolvimento da capital agora é investigado por suspeita de coordenar ataques organizados contra instituições públicas e intimidar profissionais da imprensa. A Câmara do Distrito Federal não respondeu aos pedidos de detalhes sobre qual foi exatamente a motivação para conceder a honraria a Miranda.
Citações Notáveis
Miranda negou ter contratado influenciadores para atacar autoridades, afirmando que o trabalho era para reconstrução reputacional da imagem do dono do Banco Master— Defesa de Thiago Miranda em depoimento à PF em março
A honraria é concedida a pessoas que prestam relevantes serviços à sociedade ou se destacam em suas áreas, contribuindo para o desenvolvimento social, cultural ou esportivo da capital— Câmara Legislativa do Distrito Federal
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que um título de cidadão benemérito importa nesta história?
Porque marca um contraste. Miranda foi reconhecido oficialmente como alguém que contribuiu para a cidade. Agora é investigado por tentar desacreditar uma instituição pública. É a distância entre a imagem pública e o que a polícia acredita que ele estava fazendo.
Como ele conseguiu contratar influenciadores sem deixar rastros óbvios?
Não está claro que tenha conseguido. Um influenciador falou sobre isso. Mas a investigação sugere que havia um padrão — múltiplas pessoas contratadas, ações coordenadas. O que torna suspeito não é um pagamento isolado, mas a organização por trás.
E quanto aos jornalistas? Que tipo de intimidação estamos falando?
A investigação apura isso. Não há detalhes públicos ainda sobre como exatamente ocorria. Mas está no escopo da operação — monitoramento, intimidação. É parte de um quadro maior.
Por que o Banco Master era tão importante para Miranda?
Ele estava fazendo trabalho de comunicação para o dono do banco. Quando o Master começou a ser liquidado, Miranda aparentemente tentou defender a instituição atacando o Banco Central. Era reputação corporativa, mas feita de forma que a polícia acredita ser criminosa.
Miranda admitiu algo em seu depoimento?
Não. Ele disse que o trabalho era legítimo, apenas reconstrução de imagem. Mas um influenciador já tinha contado uma história diferente — que recebeu dinheiro para postar críticas ao BC. Então há uma contradição clara.