Ganhos de eficiência podem reduzir custos em 35% entre 2027 e 2029
Em um momento de transição para o saneamento brasileiro, o BTG Pactual elevou o preço-alvo da Copasa para R$ 81, reconhecendo que a saída do controle estatal e a chegada da Equatorial abrem um ciclo novo para a companhia. A revisão não é apenas um ajuste de números: é um voto de confiança de que eficiência operacional, expansão de serviços e disciplina de governança podem transformar uma estatal em uma geradora consistente de valor. O mercado observa, com atenção, se os municípios seguirão esse caminho junto com a empresa.
- O BTG Pactual elevou o preço-alvo da Copasa para R$ 81, sinalizando que a privatização abriu oportunidades concretas de valorização ainda não precificadas pelo mercado.
- A entrada da Equatorial como controladora traz a expectativa de cortes de custo acumulados em até 35% entre 2027 e 2029, uma transformação operacional de grande escala.
- A adesão dos municípios aos novos contratos pós-privatização é o principal ponto de incerteza: apenas 30% da receita já está coberta pelas novas regras, e setembro é o prazo esperado para definição.
- A Copasa pode se tornar uma pagadora relevante de dividendos, com yield médio estimado em 7,6% ao ano entre 2026 e 2028 e potencial de dois dígitos nos anos seguintes.
- O próprio conselho da Copasa aprovou nesta quinta-feira o pagamento de R$ 142,5 milhões em juros sobre capital próprio referentes ao segundo trimestre de 2026, reforçando a narrativa de retorno ao acionista.
O BTG Pactual revisou suas projeções para a Copasa e elevou o preço-alvo da ação para R$ 81, decisão que reflete a transformação em curso na companhia após a privatização e a chegada da Equatorial como acionista controlador. Para os analistas do banco, a mudança de controle abre um conjunto de oportunidades que vai além do ajuste imediato de gestão.
Os principais vetores de criação de valor identificados pelo banco passam por reduções de custo — com cortes acumulados projetados em até 35% entre 2027 e 2029 — e pela expansão dos serviços de esgoto em municípios que hoje recebem apenas água da Copasa. O ambiente regulatório também aparece como aliado, com incentivos tarifários que podem proteger as margens ao longo dos próximos anos.
O ponto mais sensível do cenário é a adesão dos municípios aos novos contratos. Cerca de 30% da receita já está coberta pelas novas regras contratuais, mas os termos para os demais municípios ainda precisam ser definidos. O BTG espera uma resolução até setembro, e o resultado dessas negociações será determinante para confirmar as projeções.
No campo dos dividendos, o banco projeta um rendimento médio de 7,6% ao ano entre 2026 e 2028, com potencial de ultrapassar dois dígitos em anos posteriores. Esse cenário ganhou concretude nesta quinta-feira, quando o conselho da Copasa aprovou o pagamento de R$ 142,5 milhões em juros sobre capital próprio referentes ao segundo trimestre, com data de pagamento em 17 de agosto. O BTG mantém recomendação de compra, sustentada pela combinação de melhora regulatória, eficiência operacional e governança mais robusta.
O BTG Pactual revisou suas projeções para a Copasa na quinta-feira, elevando o preço-alvo da ação para R$ 81, uma decisão que reflete a transformação em curso na companhia de saneamento após sua saída do controle estatal e a chegada da Equatorial como acionista controlador. A mudança no modelo de avaliação incorpora um conjunto de oportunidades que os analistas do banco enxergam nos próximos anos, desde ganhos operacionais até a possibilidade de a empresa se tornar uma distribuidora consistente de lucros aos acionistas.
Os caminhos para criação de valor identificados pelo time de pesquisa passam, em primeiro lugar, por reduções de custo. Os analistas projetam que a companhia consiga cortar despesas de forma acumulada em até 35% no período entre 2027 e 2029, resultado esperado de uma operação mais eficiente sob a gestão da Equatorial. Além disso, há espaço para expandir os serviços de coleta e tratamento de esgoto em municípios que hoje recebem apenas água da Copasa, um movimento que ampliaria a base de receita. O ambiente regulatório também aparece como fator positivo: os analistas apontam que incentivos nas regras do setor podem sustentar aumentos de tarifa ao longo dos próximos anos, protegendo as margens da empresa.
Um ponto crítico de atenção, porém, é a adesão dos municípios aos novos contratos que vigoram após a privatização. Cerca de 30% da receita da Copasa já está coberta pelas novas regras contratuais, mas a definição dos termos para os demais municípios ainda está em aberto. O BTG espera que essa questão seja resolvida até setembro, e o resultado dessa negociação será determinante para confirmar as projeções de valor.
No que diz respeito aos retornos para quem investe na ação, o banco projeta que a Copasa se torne uma pagadora relevante de dividendos. A estimativa é de um rendimento médio de 7,6% ao ano entre 2026 e 2028, com potencial para ultrapassar dois dígitos em anos posteriores. Essa perspectiva de geração de caixa reflete a confiança dos analistas em que a privatização e a entrada de um operador experiente como a Equatorial criarão as condições para que a empresa distribua mais lucros.
O BTG mantém sua recomendação de compra para a ação, sustentada pela combinação de melhora no ambiente regulatório, maior disciplina na operação e fortalecimento dos controles de governança que vieram com a mudança de controle. Na quinta-feira, a própria Copasa anunciou que seu conselho aprovou o pagamento de juros sobre o capital próprio referente ao segundo trimestre de 2026, totalizando R$ 142,5 milhões, ou R$ 0,3758735617 por ação. O pagamento será feito em 17 de agosto, com data de corte em 23 de junho, a partir de quando as ações serão negociadas sem direito ao provento.
Citações Notáveis
Os principais vetores de valorização incluem ganhos de eficiência com potencial redução acumulada de custos de 35% entre 2027 e 2029, expansão dos serviços de esgoto em municípios atualmente atendidos apenas com água, além de incentivos regulatórios que podem sustentar reajustes tarifários— Equipe de analistas do BTG Pactual
A companhia também pode se tornar uma relevante pagadora de dividendos, com yield médio estimado de 7,6% entre 2026 e 2028 e potencial de atingir dois dígitos posteriormente— BTG Pactual
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que o BTG decidiu elevar o preço-alvo justamente agora, meses após a privatização?
Porque agora há dados reais sobre como a Equatorial está operando a companhia. Não é mais especulação — é possível ver ganhos de eficiência acontecendo, contratos sendo renegociados com municípios, e uma estrutura de governança mais sólida.
Esse número de 35% de redução de custos — é realista ou é otimismo de analista?
É uma projeção acumulada ao longo de três anos, não uma redução imediata. A Equatorial já opera em outros estados e tem expertise em enxugar despesas. Mas depende muito de como os municípios aceitarem os novos contratos.
E se os municípios não aderirem aos novos termos até setembro?
Aí o cenário muda. Trinta por cento da receita já está coberto, mas os outros setenta por cento ainda estão em negociação. Se houver resistência política ou judicial, os ganhos de eficiência podem não se materializar no prazo esperado.
Qual é a aposta maior aqui — os custos menores ou os dividendos?
Os dividendos. Um yield de 7,6% em uma ação de saneamento é atrativo. Mas isso só acontece se a companhia conseguir gerar caixa livre suficiente, o que depende dos custos caírem e das tarifas subirem conforme o regulador permite.
A Equatorial tem histórico de entregar esses números em outras operações?
Tem. Ela já opera em outros estados e é conhecida por disciplina operacional. Mas cada mercado é diferente, e Minas Gerais tem dinâmica política própria com seus municípios.