Alternativas para investir no IMAB-5 superam CDI em até 163% em três anos

O gestor não tem caixa para aproveitar oportunidades
Explicação de por que fundos de infraestrutura negociados em bolsa distribuem demais e ganham de menos.

No universo da renda fixa brasileira, existe um índice pouco conhecido — o IMAB-5 — que superou o CDI em mais de 160% nos últimos três anos, revelando uma lacuna entre o que os investidores buscam e o que efetivamente conhecem. Como não há títulos diretamente referenciados a ele no mercado, quem deseja capturar esse desempenho precisa construir caminhos alternativos: fundos passivos, CDBs escalonados por prazo ou fundos de infraestrutura. A escolha entre essas rotas não é apenas técnica — é uma questão de quanto tempo, liquidez e risco cada investidor está disposto a negociar consigo mesmo.

  • O IMAB-5 superou o CDI em mais de 160% em três anos, mas a maioria dos investidores sequer sabe que ele existe.
  • Não há títulos no Tesouro Direto com vencimento dentro do horizonte do índice, forçando quem quer acompanhá-lo a improvisar estratégias fora do caminho convencional.
  • CDBs indexados ao IPCA com prazos escalonados e fundos de infraestrutura em corretoras emergiram como as alternativas mais eficientes, com retornos de até 163% do CDI.
  • Fundos de infraestrutura negociados em bolsa atraem pela aparência de liquidez, mas escondem seis armadilhas que corroem o retorno real do investidor.
  • A combinação mais vantajosa aponta para fundos abertos em corretoras — com taxas menores e reinvestimento automático — como o caminho mais silencioso e eficaz para superar o CDI no médio prazo.

O IMAB-5 é um índice formado por cinco títulos públicos atrelados ao IPCA com prazo médio de 2,4 anos. Nos últimos três anos, ele superou o CDI em mais de 160% — uma diferença expressiva para quem busca rentabilidade real. O obstáculo é que não existem produtos diretamente referenciados a ele: os títulos que compõem o índice não estão disponíveis no Tesouro Direto, que só oferece papéis IPCA com vencimento a partir de 2029, além do horizonte máximo do IMAB-5.

Isso obriga o investidor a buscar alternativas. A primeira são fundos passivos que replicam o índice — tanto os abertos, com resgate em um dia útil, quanto os fechados, negociados em bolsa. A segunda são CDBs indexados ao IPCA distribuídos em prazos de um a cinco anos, replicando a estrutura do índice e podendo render até 115% do IMAB-5, com a proteção do FGC. Títulos de crédito privado, como debêntures, CRIs e CRAs, oferecem isenção de imposto de renda e melhor liquidez, em troca da ausência de garantia.

Os fundos de infraestrutura — os FI Infra — se destacam como a opção de maior retorno: alguns renderam 123% do IMAB-5 nos últimos três anos, o equivalente a 163% do CDI, graças à isenção fiscal e ao prêmio de crédito. Mas é preciso distinguir entre os tipos. Os fundos negociados em bolsa carregam desvantagens relevantes: misturam juros, inflação e ganhos de capital nas distribuições, não reinvestem proventos automaticamente, podem ser comprados acima do valor patrimonial e sofrem com spread e escassez de caixa para o gestor.

Os fundos abertos distribuídos em corretoras, menos conhecidos, oferecem taxas menores e reinvestimento automático — o que potencializa os ganhos ao longo do tempo. Para o investidor disposto a esperar alguns anos, essa combinação representa a estratégia mais eficiente em renda fixa de médio prazo. O IMAB-5 pode não ser um nome familiar, mas seus números justificam a atenção.

Se você investe em renda fixa e nunca ouviu falar do IMAB-5, está perdendo uma oportunidade. O índice, formado por cinco títulos públicos indexados ao IPCA com prazo médio de 2,4 anos, superou o CDI em mais de 160% nos últimos três anos — uma diferença que não é pequena para quem busca rentabilidade real. O problema é que não existem títulos referenciados diretamente ao IMAB-5 no mercado, o que deixa muitos investidores sem saber por onde começar.

A maioria dos investidores prefere o CDI porque há mais produtos disponíveis: fundos, títulos, aplicações diretas. Com o IMAB-5, a situação é diferente. Não há títulos específicos no Tesouro Direto — os papéis que compõem o índice, como a NTN-B com vencimento em 2024, 2025, 2026, 2027 e 2028, não estão acessíveis pela plataforma. O Tesouro Direto oferece apenas títulos IPCA com vencimento a partir de 2029, o que ultrapassa o horizonte máximo do índice. Isso força o investidor a buscar alternativas criativas.

Uma saída é investir em fundos passivos que replicam o IMAB-5. Existem duas modalidades: fundos abertos, distribuídos por corretoras com resgate em um dia útil, e fundos fechados, negociados em bolsa. Para quem precisa de liquidez diária e quer manter tudo em títulos públicos, ambas funcionam bem. Mas há opções ainda melhores para quem pode abrir mão de resgate imediato.

Os CDBs indexados ao IPCA oferecem um caminho interessante. Você distribui o investimento em papéis com prazos de um, dois, três, quatro e cinco anos, replicando a estrutura do índice. O retorno pode chegar a 115% do IMAB-5, com a vantagem de estar protegido pelo Fundo Garantidor de Créditos até o limite regulatório. Outra possibilidade é usar títulos de crédito privado — debêntures, CRIs e CRAs — que oferecem isenção de imposto de renda sobre o retorno e melhor liquidez, em troca de abrir mão da garantia do FGC.

Os fundos de infraestrutura, conhecidos como FI Infra, apresentam resultados ainda mais atraentes. Alguns desses fundos distribuídos em corretoras renderam 123% do IMAB-5 nos últimos três anos, o equivalente a 163% do CDI. A isenção de imposto de renda e o prêmio de crédito explicam essa performance. Mas aqui é preciso cuidado: nem todos os FI Infra são iguais.

Os fundos de infraestrutura negociados em bolsa parecem atraentes pela promessa de liquidez, mas carregam seis desvantagens significativas. Primeiro, distribuem juros, inflação e ganhos de capital misturados, deixando o investidor confuso sobre quanto está realmente recebendo de retorno real. Segundo, não reinvestem automaticamente os proventos — você precisa recomprar cotas manualmente. Terceiro, o preço pode estar acima do valor patrimonial no momento da compra, e você não sabe disso. Quarto, há spread de compra e venda que reduz o retorno final. Quinto, as distribuições contínuas deixam pouco caixa para o gestor aproveitar oportunidades. Sexto, quando o gestor precisa de mais recursos, tem de fazer novas emissões com custos adicionais.

Os fundos abertos distribuídos em corretoras, apesar de menos conhecidos, oferecem melhor relação custo-benefício. As taxas de administração costumam ser menores que as dos pares negociados em bolsa, e o reinvestimento automático potencializa os ganhos. Para o investidor que pode esperar alguns anos e quer maximizar retorno em renda fixa de médio prazo, essa é a combinação mais eficiente: um fundo de infraestrutura aberto em corretora, ou uma carteira de CDBs e títulos privados com prazos escalonados. O IMAB-5 pode não ser um nome familiar, mas seus retornos falam por si.

O melhor indicador de renda fixa não é o CDI, mas o IMAB-5
— Michael Viriato, assessor de investimentos
Os fundos negociados em bolsa distribuem juros, inflação, ganhos de capital e podem amortizar principal, deixando confuso para o investidor entender se realmente poderia usar todo o valor dos proventos
— Michael Viriato
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
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Por que o IMAB-5 é melhor que o CDI se quase ninguém investe nele?

Model

Porque o CDI é apenas uma taxa de curto prazo — reflete o custo do dinheiro de um dia para o outro. O IMAB-5 captura a rentabilidade real de títulos públicos com prazos mais longos, indexados à inflação. É a diferença entre ganhar com o fluxo de caixa do sistema bancário e ganhar com a estrutura de termo da economia.

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Então por que não há títulos diretos referenciados ao IMAB-5?

Model

Porque o índice é uma construção teórica — uma cesta de cinco papéis específicos com prazos que variam. O Tesouro não emite um título chamado IMAB-5. Você precisa replicar a cesta ou encontrar alguém que já fez isso por você, como um fundo.

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E por que os CDBs rendem mais que os fundos de títulos públicos?

Model

Os bancos pagam um prêmio de crédito — você está emprestando para eles, não para o governo. Além disso, CDBs com prazos longos capturam melhor a curva de juros. Um fundo de títulos públicos tem custos de administração e precisa manter liquidez, o que reduz o retorno.

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Os fundos de infraestrutura negociados em bolsa parecem ter liquidez. Por que você os desaconselha?

Model

Liquidez não é tudo. Você pode vender rápido, mas pode estar vendendo caro ou comprando caro sem saber. O fundo distribui tudo que ganha, então o gestor não tem caixa para aproveitar oportunidades. É como ter um carro rápido mas sem combustível.

Inventor

Qual é o risco real de investir em um FI Infra aberto em corretora?

Model

O risco é o mesmo de qualquer investimento em infraestrutura — projetos podem não render como esperado, concessões podem ter problemas políticos. Mas a isenção de IR compensa isso. O risco maior é o risco de crédito do gestor, não do mercado.

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Se alguém quer começar agora, qual é o primeiro passo?

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Calcular quanto pode deixar investido por pelo menos dois anos. Se conseguir, um FI Infra aberto em corretora com taxa de administração baixa é o caminho mais simples. Se quiser mais controle, monte uma carteira de CDBs com prazos escalonados. Evite bolsa, evite Tesouro Direto com títulos IPCA longos — o IMAB-5 já fez esse trabalho por você.

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