Alga australiana é a mais tóxica já registrada, revelam cientistas

Aproximadamente um milhão de animais marinhos pertencentes a mais de 600 espécies morreram na floração de algas que atingiu o sul da Austrália.
Alguns milhares de células por litro bastam para matar
A K. cristata requer concentrações muito menores que outras espécies para provocar efeitos letais em organismos marinhos.

Nas águas do sul da Austrália, uma microalga até então desconhecida naquele litoral revelou-se a mais letal já catalogada pela ciência: a Karenia cristata, capaz de matar peixes e invertebrados com concentrações ínfimas de células, deixou para trás cerca de um milhão de animais marinhos de mais de 600 espécies. O evento convida a humanidade a refletir sobre os limites do que conhecemos dos oceanos e sobre a velocidade com que organismos invisíveis a olho nu podem reconfigurar ecossistemas inteiros.

  • Com apenas alguns milhares de células por litro, a K. cristata já é suficiente para matar — uma potência letal sem precedentes entre as algas do gênero Karenia.
  • A floração devastou 20 mil km² da costa australiana, ceifando a vida de aproximadamente um milhão de animais de mais de 600 espécies em um único evento.
  • A espécie nunca havia sido registrada na Austrália antes — sua presença representa uma expansão geográfica alarmante de um organismo vindo da África do Sul e do Canadá.
  • As brevetoxinas produzidas pela alga atacam o sistema nervoso de organismos marinhos e representam risco potencial também para seres humanos.
  • Pesquisadores de três instituições confirmaram a toxicidade extrema em laboratório, mas alertam que os mecanismos de dispersão e proliferação da espécie ainda são desconhecidos.

Cientistas australianos e neozelandeses identificaram uma microalga capaz de matar peixes e invertebrados marinhos com concentrações extraordinariamente baixas de células — apenas alguns milhares por litro de água. A descoberta lança luz sobre a devastação que assola o litoral sul da Austrália desde o ano passado.

A espécie, batizada de Karenia cristata, foi submetida a testes comparativos por pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Sydney, da Universidade de Adelaide e do Instituto Cawthron, na Nova Zelândia. Os resultados foram contundentes: a K. cristata é drasticamente mais letal do que qualquer outra espécie conhecida do mesmo gênero. Segundo Craig Styan, um dos autores do estudo, essa toxicidade extrema explica a gravidade incomum da floração atual.

O rastro deixado pelo evento é impressionante: cerca de um milhão de animais marinhos de mais de 600 espécies — peixes, crustáceos, moluscos e outros — morreram ao longo de uma área de aproximadamente 20 mil quilômetros quadrados. A alga produz brevetoxinas, substâncias que atacam diretamente o sistema nervoso dos organismos marinhos e que também representam risco para humanos.

O que agrava ainda mais o cenário é que esta é a primeira vez que a K. cristata é registrada em águas australianas. Antes, a espécie havia sido encontrada apenas na África do Sul e em Terra Nova, no Canadá — o que torna sua chegada ao litoral australiano uma expansão geográfica preocupante. Os pesquisadores alertam que compreender como ela se dispersa e quais condições favorecem seu crescimento será essencial para monitorar e prevenir desastres semelhantes no futuro.

Cientistas australianos e neozelandeses identificaram uma microalga tão potente que apenas alguns milhares de células por litro de água são suficientes para matar peixes e invertebrados marinhos. A descoberta explica a escala devastadora de um evento que vem assolando a costa sul da Austrália desde o ano passado.

A Karenia cristata, como é chamada a espécie, foi comparada a outras variedades do mesmo gênero em testes de laboratório conduzidos por pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Sydney, em parceria com colegas da Universidade de Adelaide e do Instituto Cawthron, na Nova Zelândia. Os resultados foram inequívocos: essa alga requer concentrações drasticamente menores para provocar efeitos letais quando comparada a qualquer outra espécie conhecida de Karenia. Craig Styan, um dos autores do estudo pela universidade de Sydney, explicou à ABC News que a toxicidade extrema da K. cristata ajuda a compreender por que a floração atual foi tão grave.

A floração de algas se estendeu por aproximadamente 20 mil quilômetros quadrados da costa australiana e deixou um rastro de morte impressionante. Cerca de um milhão de animais marinhos, pertencentes a mais de 600 espécies diferentes, morreram durante o evento. Peixes, crustáceos, moluscos e outras formas de vida marinha foram afetadas indiscriminadamente pela presença da alga.

O que torna a K. cristata particularmente perigosa é sua capacidade de produzir brevetoxinas, substâncias que atacam diretamente o sistema nervoso dos organismos marinhos. Essas toxinas também representam risco para seres humanos, embora os efeitos variem dependendo de como a exposição ocorre. A alga faz parte de um grupo de cinco espécies de Karenia que foram identificadas durante a floração atual, mas se destaca pela sua potência letal.

O que torna essa descoberta ainda mais preocupante é que se trata da primeira vez que a K. cristata é registrada em águas australianas. Antes disso, a espécie havia sido encontrada apenas na África do Sul e na região de Terra Nova, no Canadá. Sua chegada às costas australianas representa uma expansão geográfica de um organismo já conhecido por sua toxicidade extrema.

Apesar do avanço significativo na compreensão do desastre ecológico, os pesquisadores enfatizam que muito ainda precisa ser investigado. Entender como a microalga se dispersa, quais condições ambientais favorecem seu crescimento explosivo e como prever futuras florações são questões que demandam novas pesquisas. Essas informações serão cruciais para monitorar e mitigar os impactos de eventos similares nos ecossistemas marinhos nos próximos anos.

Bastam alguns milhares de células de K. cristata por litro de água para produzir impactos biológicos significativos
— Craig Styan, pesquisador da Universidade de Tecnologia de Sydney
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que essa alga em particular é tão mais tóxica que as outras do mesmo gênero?

Model

A K. cristata produz brevetoxinas em concentrações muito altas e de forma muito eficiente. Enquanto outras Karenia precisam de milhões de células para causar dano, essa espécie consegue o mesmo com apenas alguns milhares por litro.

Inventor

E como ela chegou à Austrália se nunca havia sido vista lá antes?

Model

Ninguém sabe ao certo ainda. Ela estava na África do Sul e em Terra Nova, mas algo — mudanças nas correntes oceânicas, temperaturas da água, navios carregando água de lastro — a trouxe até lá.

Inventor

Um milhão de animais mortos. Isso é reversível?

Model

Não. Esses ecossistemas levam anos para se recuperar, se conseguirem. Mas o maior risco agora é que ela volte a florescer. Se entendermos o que a faz proliferar, talvez consigamos evitar a próxima vez.

Inventor

Os humanos correm perigo?

Model

Sim, mas de forma diferente. As toxinas afetam nosso sistema nervoso se ingerirmos água ou frutos do mar contaminados. Os sintomas dependem de quanto foi consumido e como.

Inventor

Então esse estudo é apenas o começo?

Model

Exatamente. Identificar a alga foi crucial, mas agora precisamos saber por que ela floresceu, como monitorá-la e como impedir que isso aconteça novamente.

Quer a matéria completa? Leia o original em Globo ↗
Fale Conosco FAQ