Alckmin sinaliza aumento de etanol na gasolina para setor sucroalcooleiro

O governo está disposto a avançar nessa agenda de combustíveis renováveis
Alckmin sinalizou abertura para aumentar a mistura de etanol na gasolina como parte de um programa maior de sustentabilidade.

Em um encontro que une política energética e estratégia industrial, o vice-presidente Geraldo Alckmin sinalizou ao setor sucroenergético paulista sua disposição em elevar o teor de etanol na gasolina de 27,5% para 30%, dentro do chamado Programa Combustível do Futuro. A proposta, antiga demanda da indústria canavieira, ganha novo fôlego ao ser incorporada a uma iniciativa governamental mais ampla que também contempla biodiesel e combustível sustentável de aviação. O movimento revela um governo que aposta na bioenergia como eixo de sua política industrial, embora o caminho até a lei ainda exija travessia pelo Congresso Nacional.

  • O setor sucroalcooleiro aguarda há anos uma elevação na mistura de etanol à gasolina, e agora vê essa demanda histórica chegar ao centro do planejamento governamental.
  • A reunião de Alckmin com lideranças da Datagro e o deputado Arnaldo Jardim revelou uma articulação simultânea entre indústria, parlamento e Executivo — sinal de que a pressão política está coordenada.
  • Horas antes do encontro com o setor, Alckmin já havia se reunido com os ministros Haddad, Silveira e Rui Costa, indicando que a pauta de combustíveis sustentáveis está sendo tratada no mais alto nível do governo.
  • O Programa Combustível do Futuro ainda precisa ser convertido em projeto de lei e aprovado pelo Congresso, o que mantém a medida no campo das sinalizações — importantes, mas não definitivas.
  • Para a cadeia produtiva do etanol, um aumento de 2,5 pontos percentuais na mistura representa expansão concreta de mercado em um país que é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar.

Geraldo Alckmin reuniu-se na terça-feira com lideranças do setor sucroenergético paulista para discutir uma mudança perseguida há anos pelo segmento: elevar a concentração de etanol na gasolina de 27,5% para 30%. A proposta ganhou novo peso ao ser incorporada ao Programa Combustível do Futuro, iniciativa que o governo pretende formalizar por meio de projeto de lei.

O encontro reuniu os diretores da consultoria Datagro, Plínio e Luiz Fernando Nastari, e o deputado Arnaldo Jardim, presidente da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético. Além do etanol, Alckmin sinalizou avanços em outras frentes: aumento do mandato de biodiesel e estabelecimento de metas para o combustível sustentável de aviação, o SAF. Fontes presentes indicaram que as diretrizes do programa ainda estão em construção, com espaço para ajustes.

O timing não foi casual. Horas antes, Alckmin havia se reunido com os ministros Haddad, Silveira e Rui Costa para discutir o plano mais amplo de combustíveis sustentáveis — sinal de que a agenda está sendo coordenada no mais alto nível do governo.

Para o setor, uma elevação de 2,5 pontos percentuais pode parecer modesta, mas em volume representa expansão significativa num mercado doméstico cada vez mais orientado para renováveis. O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, e ampliar o espaço do etanol fortalece toda a cadeia produtiva. O que falta agora é transformar a sinalização em lei — e isso depende de uma travessia ainda incerta pelo Congresso Nacional.

Geraldo Alckmin, na condição de vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, reuniu-se na terça-feira com lideranças do setor sucroenergético paulista para discutir uma mudança que o segmento persegue há anos: aumentar a concentração de etanol misturado à gasolina de 27,5% para 30%. A proposta não é nova para a indústria, mas ganhou peso ao ser incorporada ao Programa Combustível do Futuro, uma iniciativa que o Executivo pretende formalizar por meio de projeto de lei.

O encontro reuniu figuras-chave do setor. Plínio e Luiz Fernando Nastari, diretores da consultoria Datagro, compareceram ao lado do deputado federal Arnaldo Jardim, presidente da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético. A agenda tinha um gancho imediato: entregar a Alckmin um convite para participar de um evento da consultoria em outubro, quando se encerra a safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do país. Mas o encontro serviu para muito mais que isso.

Além da questão do etanol, Alckmin sinalizou ao setor que o governo está trabalhando em outras frentes relacionadas a combustíveis renováveis. O aumento do mandato de biodiesel — a mistura obrigatória desse biocombustível no óleo diesel — entrou na pauta. Também foi discutido o estabelecimento de metas para o Sustainable Aviation Fuel, o SAF, combustível de aviação produzido a partir de fontes renováveis. Segundo informações de fontes presentes, Alckmin deixou claro que as diretrizes do projeto estão em construção, sinalizando que há espaço para ajustes conforme o setor apresente suas demandas.

O timing da conversa não foi casual. Horas antes, Alckmin havia se reunido com os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da Casa Civil, Rui Costa, para discutir o plano mais amplo de combustíveis sustentáveis. Isso sugere que a questão está sendo tratada como prioridade no nível mais alto do governo, com coordenação entre pastas fundamentais para sua implementação.

O aumento da mistura de etanol na gasolina representa um ganho significativo para o setor sucroalcooleiro. Uma elevação de 2,5 pontos percentuais pode parecer modesta em números, mas em volume de produção e consumo, a diferença é substancial. O Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo e o etanol é um dos seus principais produtos de valor agregado. Expandir o mercado doméstico para esse biocombustível fortalece toda a cadeia produtiva, desde o cultivo até a distribuição.

Mas há um caminho ainda a percorrer. O Programa Combustível do Futuro precisa ser convertido em lei, o que significa passar pelo Congresso Nacional. Embora o setor tenha representação parlamentar forte — como evidencia a presença de Jardim — a aprovação não é automática. Questões de viabilidade técnica, impacto ambiental e até preferências de consumidores precisam ser consideradas. Além disso, a mudança afeta toda a cadeia de distribuição de combustíveis, desde refinarias até postos de gasolina.

O que Alckmin sinalizou, portanto, é que o governo está disposto a avançar nessa agenda. Não é uma promessa fechada, mas um sinal claro de que a porta está aberta para negociações. Para o setor sucroalcooleiro, que vê no aumento da mistura uma oportunidade de crescimento em um mercado doméstico cada vez mais orientado para combustíveis renováveis, esse movimento representa um passo importante. Os próximos meses dirão se ele será suficiente para transformar a sinalização em lei.

As diretrizes do projeto estão sendo construídas
— Geraldo Alckmin, conforme fontes presentes
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que agora? O setor pede isso há anos. O que mudou?

Model

O timing tem a ver com a prioridade que o governo está dando a combustíveis sustentáveis. Alckmin reuniu-se com ministros-chave no mesmo dia, o que mostra coordenação. Além disso, há pressão internacional por descarbonização e o Brasil quer se posicionar como líder em biocombustíveis.

Inventor

Qual é o impacto real de aumentar 2,5 pontos percentuais?

Model

Em volume, é considerável. O Brasil consome bilhões de litros de gasolina por ano. Aumentar a mistura de 27,5% para 30% significa mais demanda por etanol, o que expande a produção de cana-de-açúcar e toda a cadeia associada.

Inventor

E os consumidores? Alguém perguntou se eles querem isso?

Model

Não aparece na conversa. A discussão foi entre governo e setor produtivo. Há questões técnicas sobre compatibilidade de motores e consumo de combustível que ainda precisam ser avaliadas.

Inventor

Qual é o obstáculo principal agora?

Model

A aprovação legislativa. O programa precisa virar lei, passar pelo Congresso. O setor tem representação parlamentar, mas não há garantia de que será fácil.

Inventor

E se não passar?

Model

Fica como sinalização. O setor continua aguardando. Mas o fato de estar sendo discutido no nível de vice-presidente e ministros já é um avanço em relação ao passado.

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