Cargo de ministro é de confiança do presidente
Em meio à crise interna do União Brasil, provocada pela desfiliação da ministra do Turismo Daniela Carneiro, o presidente em exercício Geraldo Alckmin reafirmou nesta terça-feira que não há qualquer plano de reforma ministerial. A declaração revela uma escolha deliberada de estabilidade sobre conveniência política: o governo Lula opta por preservar alianças construídas na transição, mesmo quando essas alianças acumulam sombras e escândalos. É o eterno dilema do poder — manter a coesão da base ao custo de conviver com o incômodo.
- A desfiliação de Daniela Carneiro do União Brasil abriu uma crise sobre quem, afinal, tem direito ao Ministério do Turismo — a pessoa ou o partido.
- Cinco deputados federais fluminenses também pediram saída da legenda ao TSE, ampliando a fratura interna e expondo a fragilidade da bancada.
- O União Brasil, pela voz de Luciano Bivar, deixou claro que não abrirá mão da pasta ministerial, independentemente do destino partidário da ministra.
- Carneiro carrega o peso adicional de investigações sobre supostas ligações com milicianos durante sua campanha, tornando sua permanência politicamente custosa.
- Alckmin respondeu com firmeza às perguntas da imprensa, sinalizando que o governo não pretende ceder a pressões externas nem reorganizar o alto escalão.
Geraldo Alckmin fechou a porta para qualquer reforma ministerial nesta terça-feira, respondendo com firmeza aos jornalistas que o questionavam sobre possíveis mudanças no governo. "Cargo de ministro é de confiança do presidente da República", disse, deixando claro que o tema não estava em pauta — mesmo com a turbulência política que cercava o União Brasil.
O centro da crise tinha nome: Daniela Carneiro, ministra do Turismo, que havia pedido desfiliação do partido na semana anterior. Cinco deputados federais do Rio de Janeiro fizeram o mesmo junto ao TSE. Carneiro estudava migrar para o Republicanos, legenda sem cadeira ministerial. O presidente do União Brasil, Luciano Bivar, foi categórico: a saída da ministra não implicaria perda da pasta, conquistada como parte do acordo de apoio ao governo Lula ainda na transição. O partido detém três ministérios — Turismo, Comunicações e Desenvolvimento Regional —, todos envolvidos em escândalos de desvios anteriores às posses.
A ligação de Carneiro com o governo tem raízes eleitorais. Ela e seu marido, Waguinho, prefeito de Belford Roxo, fizeram campanha ativa por Lula no segundo turno, mesmo com o União Brasil declarando neutralidade. Interlocutores do PT reconhecem que esse apoio foi decisivo no Rio de Janeiro.
Apesar das suspeitas de ligações com milicianos durante sua campanha para deputada, Lula decidiu mantê-la no cargo. Ao descartar a reforma, Alckmin sinalizava que o governo prefere a estabilidade — ainda que frágil — a ceder diante das fraturas que começam a aparecer em sua base no Congresso.
Geraldo Alckmin, na condição de presidente em exercício, fechou a porta para qualquer reorganização ministerial nesta terça-feira, respondendo com firmeza a questionamentos sobre possíveis mudanças na estrutura do governo. "Não tem nenhuma história de reforma ministerial e cargo de ministro é de confiança do presidente da República", disse, deixando claro que o tema não estava em pauta apesar da turbulência política que cercava o partido União Brasil.
A crise que motivou as perguntas dos jornalistas tinha um rosto: Daniela Carneiro, ministra do Turismo, que havia pedido desfiliação do União Brasil na semana anterior. Ela não estava sozinha nessa decisão. Cinco deputados federais do Rio de Janeiro também solicitaram ao Tribunal Superior Eleitoral a saída da legenda, preservando seus mandatos na Câmara. Carneiro estudava a possibilidade de se filiar ao Republicanos, partido que ainda não ocupava nenhuma cadeira ministerial.
O dilema era delicado. Luciano Bivar, presidente do União Brasil, havia deixado claro que a saída de Carneiro não significaria a perda da pasta. O partido tinha direito àquele ministério como parte do acordo de apoio ao governo Lula, acertado ainda durante a transição. O União Brasil havia conquistado três pastas no alto escalão: além do Turismo, a Comunicações, com Juscelino Filho, e o Desenvolvimento Regional, sob comando de Waldez Góes. Os três ministros estavam envolvidos em escândalos relacionados a desvios de recursos públicos cometidos antes de assumirem suas posições.
A trajetória que levou Carneiro ao ministério passava pelo Rio de Janeiro. Durante a campanha presidencial, o União Brasil havia declarado neutralidade no segundo turno, mas Daniela Carneiro e seu marido, Wagner Carneiro—prefeito de Belford Roxo e conhecido como Waguinho—fizeram campanha ativa para Lula. Segundo interlocutores do PT, esse apoio foi fundamental para que o presidente conquistasse votos importantes no estado.
Apesar de toda a turbulência, Lula optou por manter Carneiro no cargo. A decisão era particularmente notável considerando as suspeitas que cercavam a ministra: investigações apontavam possíveis ligações com milicianos durante sua campanha para deputada federal. Alckmin, ao descartar a reforma ministerial, sinalizava que o governo não pretendia ceder à pressão política ou aos escândalos que envolviam seus aliados. A mensagem era de estabilidade, mesmo que frágil, em um momento em que a base de apoio no Congresso enfrentava fraturas internas.
Citas Notables
Não tem nenhuma história de reforma ministerial e cargo de ministro é de confiança do presidente da República— Geraldo Alckmin, presidente em exercício
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Alckmin insistiu em descartar a reforma ministerial justamente agora, quando o União Brasil está em crise?
Porque ceder significaria admitir que a pressão política conseguiu mexer na estrutura do governo. Se ele tira Carneiro, o partido reclama a pasta de qualquer forma, e Lula fica entre a espada e a parede. Melhor negar que há qualquer plano.
Mas Carneiro está saindo do partido. Como o União Brasil mantém o ministério se ela não está mais lá?
Esse é o jogo. Bivar sinalizou que o partido não abre mão da pasta independentemente de quem a ocupa. Se Carneiro sair, eles colocam outro nome. O ministério é da legenda, não da pessoa.
E por que Lula não a tira, considerando as suspeitas de ligações com milicianos?
Porque ela e o marido foram cruciais para Lula ganhar votos no Rio. Tirar Carneiro agora seria uma traição política. O governo prefere absorver o escândalo a perder o apoio que ela ajudou a construir.
Então a lealdade política pesa mais que as investigações?
Neste momento, sim. O governo está montando sua base no Congresso. Não é o tempo para fazer limpeza. É o tempo para manter os aliados perto, mesmo que incômodos.