Acordo de paz EUA-Irã inclui compensação financeira e garantias nucleares, diz CNN

Se eu não gostar, voltaremos a bombardear bem no meio da cabeça deles
Trump questiona a validade do acordo e ameaça retomar ataques se negociações finais não o satisfizerem.

Entre a promessa de paz e a ameaça de retomada dos bombardeios, Estados Unidos e Irã assinaram virtualmente um acordo de 14 pontos que prevê cessar-fogo, levantamento de sanções e garantias nucleares — mas cujos termos financeiros já são contestados pelo próprio presidente americano. O documento, obtido pela CNN Internacional antes de sua divulgação oficial, será formalizado em Genebra na sexta-feira, enquanto as questões mais sensíveis sobre o programa nuclear iraniano permanecem abertas para negociações nos próximos 60 dias. A história da diplomacia conhece bem esse intervalo frágil entre o papel assinado e a paz consolidada.

  • A CNN Internacional afirma ter o texto completo de um acordo ainda secreto — e o que ele revela já provoca tensão antes mesmo da cerimônia oficial em Genebra.
  • Trump contradiz publicamente os termos do próprio acordo que seu governo assinou, negando a existência de um fundo de US$ 300 bilhões e chamando o documento de mero 'memorando de entendimento'.
  • O Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã durante o conflito, deve ser reaberto em até 30 dias — uma medida concreta que sinaliza desescalada, mas depende do cumprimento de compromissos ainda não ratificados.
  • O limite de enriquecimento de urânio permitido ao Irã — o núcleo mais sensível de qualquer acordo nuclear — não foi definido e ficará para negociações finais com aprovação do Conselho de Segurança da ONU.
  • A ameaça de Trump de 'voltar a bombardear' caso não goste do resultado das negociações posteriores lança sombra sobre a durabilidade do cessar-fogo já anunciado.

A CNN Internacional afirma ter obtido o texto completo de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã antes de sua divulgação oficial. O documento, de 14 pontos, teria sido assinado virtualmente no fim de semana e será formalizado em cerimônia presencial em Genebra na sexta-feira. Entre seus termos centrais estão o encerramento imediato da guerra e o compromisso de Teerã de nunca desenvolver armas nucleares.

O acordo prevê compensação financeira ao Irã — incluindo acesso a um fundo de US$ 300 bilhões condicionado ao cumprimento das garantias nucleares —, levantamento de todas as sanções vigentes e liberação de ativos congelados. Na prática, o Irã poderá voltar a comercializar petróleo e petroquímicos, com isenções emitidas pelo Tesouro americano cobrindo exportações, operações bancárias, seguros e transporte. O Estreito de Ormuz, bloqueado durante o conflito, deverá ser reaberto em até 30 dias.

As questões mais delicadas, porém, permanecem em aberto. O texto não define o limite de enriquecimento de urânio permitido ao Irã nem o destino do material já enriquecido — pontos que serão negociados em até 60 dias, com aprovação posterior do Conselho de Segurança da ONU. É justamente nesse intervalo que a fragilidade do acordo se revela.

O próprio Trump questionou a validade do documento na quarta-feira, referindo-se a ele como um 'memorando de entendimento' e negando a existência do fundo de US$ 300 bilhões descrito pela CNN. Durante a cúpula do G7 na França, o presidente americano foi além: afirmou que retomaria os bombardeios contra Teerã caso não ficasse satisfeito com o resultado das negociações nucleares. A paz, ao que parece, ainda aguarda confirmação de quem a assinou.

A rede CNN Internacional afirma ter obtido acesso ao texto completo de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã que ainda não foi divulgado oficialmente. O documento, assinado virtualmente no fim de semana segundo o governo americano, será formalizado em cerimônia presencial na sexta-feira em Genebra. Segundo a emissora, o acordo contém 14 pontos e estabelece tanto o encerramento imediato da guerra quanto garantias de que Teerã nunca desenvolverá armas nucleares.

O texto prevê compensação financeira ao Irã, embora o valor exato não tenha sido determinado. De acordo com a CNN, o país teria acesso a um fundo de US$ 300 bilhões caso cumpra o compromisso de não produzir armas nucleares — uma cifra que o presidente Donald Trump negou existir na quarta-feira. O acordo também inclui o levantamento de todas as sanções que atualmente incidem sobre o Irã, em cronograma a ser definido pelas partes, além da liberação de ativos e fundos iranianos que estavam congelados ou restringidos.

Entre as medidas práticas, o acordo determina a reabertura do Estreito de Ormuz, que o Irã havia bloqueado durante o conflito em retaliação aos ataques americanos e israelenses. O documento também autoriza o Irã a comercializar seu petróleo e produtos petroquímicos, com o Tesouro dos EUA emitindo isenções para exportações de petróleo bruto iraniano, derivados petroquímicos e serviços relacionados, incluindo operações bancárias, seguros e transporte. O Irã se compromete a restabelecer o tráfego de navios entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã aos níveis anteriores à guerra em até 30 dias.

Os Estados Unidos e seus aliados regionais se comprometem a elaborar um plano para reabilitação e desenvolvimento econômico do Irã dentro de 60 dias. Quanto ao programa nuclear, o acordo estabelece um entendimento para negociações finais no mesmo prazo, com aprovação posterior de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. Porém, o texto não especifica qual será o limite de enriquecimento de urânio permitido ao Irã, deixando essa questão e o destino do material nuclear já enriquecido para serem definidos no acordo final.

Apesar da assinatura virtual já realizada, Trump questionou a validade do documento na quarta-feira, referindo-se a ele como um "memorando de entendimento" e não como um acordo definitivo. O presidente americano também ameaçou retomar os bombardeios contra Teerã caso não fique satisfeito com o resultado das negociações posteriores sobre o programa nuclear iraniano. "Se eu não gostar, voltaremos a atirar neles, a bombardear suas cabeças", afirmou durante coletiva de imprensa na cúpula do G7 na França. Trump reiterou que o fundo de US$ 300 bilhões mencionado pela CNN é "falso", criando incerteza sobre os termos financeiros que a emissora descreveu como parte do acordo.

É um memorando de entendimento. E se eu não gostar, voltaremos a atirar neles, a bombardear suas cabeças.
— Donald Trump, presidente dos EUA
O fundo de US$ 300 bilhões mencionado é falso.
— Donald Trump
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a CNN teve acesso ao texto antes do anúncio oficial?

Model

A emissora não explicou como obteve o documento. O que sabemos é que os EUA confirmam ter assinado virtualmente, mas Trump está questionando se é realmente um acordo ou apenas um memorando preliminar.

Inventor

E esse fundo de US$ 300 bilhões — existe ou não?

Model

Segundo a CNN, existe e seria liberado se o Irã cumprir a promessa nuclear. Mas Trump negou categoricamente na quarta-feira. Essa discrepância é importante porque muda completamente o que o Irã ganha com o acordo.

Inventor

O que muda para o Irã na prática?

Model

Se o acordo se mantiver, as sanções caem, seus ativos congelados são liberados, pode vender petróleo novamente, e o Estreito de Ormuz — que ele havia bloqueado — reabre. São mudanças econômicas enormes.

Inventor

Mas Trump está ameaçando bombardear de novo?

Model

Sim. Ele disse que se não gostar do resultado das negociações finais sobre o programa nuclear, voltará a atacar. Isso torna tudo muito frágil — o acordo depende de Trump estar satisfeito daqui a 60 dias.

Inventor

Qual é o ponto mais incerto?

Model

O programa nuclear. O acordo não define quanto urânio o Irã pode enriquecer nem o que fazer com o que já foi enriquecido. Tudo fica para a negociação final, o que deixa espaço para novos conflitos.

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