2º Workshop de Pompoarismo rompe tabus e promove saúde integral da mulher

Apropriar-se do próprio prazer também é exercer autonomia
A fisioterapeuta Christiane Radha Costa explicou o pompoarismo como prática de autoconhecimento e poder pessoal.

Em Belo Horizonte, mulheres servidoras da justiça se reuniram pela segunda vez para aprender que conhecer o próprio corpo é também um ato político. O 2º Workshop de Pompoarismo e Saúde da Mulher, promovido pelo Núcleo das Mulheres do SINJUS-MG, transformou um espaço profissional em território de autoconhecimento, quebrando o silêncio histórico que separa as mulheres de informações sobre saúde pélvica, prazer e autonomia. O que poderia parecer um tema periférico revelou-se central: cuidar do próprio corpo, nomeá-lo e habitá-lo com consciência é, também, uma forma de exercer liberdade.

  • Tabus sobre sexualidade feminina ainda tornam difícil falar abertamente sobre saúde pélvica e prazer em ambientes profissionais — e o workshop existiu justamente para romper esse silêncio.
  • A fisioterapeuta e sexóloga Christiane Radha Costa conduziu exercícios de respiração, consciência corporal e fortalecimento muscular que vão além do desempenho sexual: previnem incontinência urinária, prolapso e outros problemas que afetam mulheres ao longo da vida.
  • O ambiente acolhedor e sem julgamentos criou condições para que participantes com vivências muito diferentes trocassem experiências com abertura — algo que participantes como Rafaela Diniz descreveram como o momento mais valioso do encontro.
  • O Núcleo das Mulheres do SINJUS-MG consolida uma estratégia deliberada: transformar o sindicato em espaço onde saúde integral, autonomia e direitos femininos são tratados como pauta legítima do trabalho coletivo.

Na tarde de 17 de junho, cerca de duas dúzias de mulheres se reuniram na Associação Médica de Minas Gerais para uma conversa que, há poucos anos, teria soado improvável em um contexto profissional. Era a segunda edição do Workshop de Pompoarismo e Saúde da Mulher, promovido pelo Núcleo das Mulheres do SINJUS-MG — e o simples fato de estar acontecendo de novo sinalizava que algo estava mudando.

As diretoras Adriana Teodoro, Patrícia Oliveira e Janaína Torres abriram o encontro deixando claro que aquilo não era um desvio da agenda sindical. Para elas, autonomia feminina passa pelo acesso à informação e pela possibilidade de falar sem constrangimento sobre temas que afetam diretamente a qualidade de vida das mulheres.

A condução ficou com Christiane Radha Costa, fisioterapeuta especializada em saúde da mulher, sexóloga e terapeuta tântrica. Ela apresentou o pompoarismo não como técnica voltada apenas à vida sexual, mas como caminho de autoconhecimento integral. As participantes aprenderam exercícios de consciência corporal, respiração e fortalecimento do assoalho pélvico — prática que previne incontinência urinária, prolapso de útero e outros problemas comuns ao longo da vida feminina. Christiane lembrou que o corpo envia sinais constantemente, e que a maioria das mulheres aprende a ignorá-los.

As participantes saíram transformadas de formas distintas. Iêda Leal, servidora do Tribunal de Justiça, destacou ter compreendido o pompoarismo como prática de prevenção e promoção da saúde — não apenas de prazer. Rafaela Diniz, presente nas duas edições, elogiou o ambiente acolhedor e ressaltou a troca entre mulheres com vivências diferentes como o aprendizado mais valioso.

Para Patrícia Oliveira, o que estava acontecendo confirmava o propósito do núcleo: criar espaços seguros onde mulheres possam falar sobre seus corpos, sua sexualidade e seu bem-estar sem vergonha. O workshop não era um evento isolado — era parte de uma estratégia maior, e ela pretendia continuar.

Na quarta-feira 17 de junho, cerca de duas dúzias de mulheres se reuniram na Associação Médica de Minas Gerais para uma conversa que, há poucos anos, teria sido impensável em um espaço profissional: como conhecer melhor o próprio corpo, fortalecer a musculatura pélvica e entender o prazer como questão de saúde e autonomia. Era a segunda edição do Workshop de Pompoarismo e Saúde da Mulher, promovido pelo Núcleo das Mulheres do SINJUS-MG, e o fato de ele estar acontecendo novamente — depois do sucesso da primeira — sinalizava algo importante sobre como as conversas estão mudando.

As três diretoras do sindicato que coordenam o núcleo — Adriana Teodoro, Patrícia Oliveira e Janaína Torres — abriram o encontro reforçando por que estavam ali. Para elas, a autonomia feminina passa também pelo acesso à informação e pela possibilidade de falar sem constrangimento sobre temas que afetam diretamente a qualidade de vida das mulheres. O workshop não era um desvio do trabalho sindical; era exatamente o trabalho que precisava ser feito.

A condução ficou a cargo de Christiane Radha Costa, fisioterapeuta especializada em saúde da mulher, instrutora de pompoarismo, sexóloga e terapeuta tântrica. Durante as horas seguintes, as participantes aprenderam exercícios de consciência corporal, técnicas de respiração, percepção do assoalho pélvico e fortalecimento muscular. Mas o que diferenciava este workshop de um simples treinamento físico era a forma como o pompoarismo foi apresentado: não como uma técnica voltada apenas à vida sexual, mas como um caminho para autoconhecimento e cuidado integral. Christiane explicou que habitar o próprio corpo com conforto, desenvolver consciência sobre ele e estabelecer uma relação saudável consigo mesma são passos fundamentais. Apropriar-se do próprio prazer, ela disse, é também exercer autonomia.

Os benefícios práticos eram concretos. O fortalecimento do assoalho pélvico ajuda a prevenir incontinência urinária, flacidez vaginal, prolapso de útero e queda da bexiga — problemas que afetam muitas mulheres conforme envelhecem. A prática também contribui para a preparação do parto normal e para uma melhor qualidade de vida geral. Mas havia algo mais sutil acontecendo também. Ao desenvolver consciência sobre a respiração, os movimentos e as sensações corporais, as mulheres aprendiam a acessar emoções e memórias, fortalecendo sua capacidade de autorregulação. O corpo, como Christiane apontou, está constantemente enviando sinais — sinais que a maioria das mulheres aprende a ignorar em meio às demandas do dia a dia.

Iêda Leal, servidora do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, descreveu o aprendizado como enriquecedor. Para ela, o principal insight foi compreender que o pompoarismo é também uma prática de prevenção e promoção da saúde feminina — não apenas algo relacionado ao prazer sexual, mas à saúde em sentido amplo. Rafaela Diniz, que participou das duas edições do workshop, elogiou o ambiente criado: confortável, acolhedor e até divertido. Ela destacou a importância de experienciar o próprio corpo e aprender como utilizá-lo da melhor forma, tanto para si mesma quanto para um parceiro. Mas o que mais a tocou foi a troca de experiências entre mulheres com vivências diferentes — o aprendizado coletivo.

Para Patrícia Oliveira, coordenadora do Núcleo das Mulheres, esse era exatamente o objetivo. O núcleo foi criado para fortalecer os vínculos entre as servidoras e promover debates sobre temas que impactam a vida das mulheres dentro e fora do trabalho. O que ela estava observando era que esses vínculos estavam ficando mais fortes justamente porque o espaço era seguro e livre de julgamentos. Ver mulheres compartilhando experiências e aprendendo juntas confirmava que estavam no caminho certo. O workshop não era um evento isolado — era parte de uma estratégia maior de criar espaços onde as mulheres pudessem falar sobre seus corpos, sua sexualidade e seu bem-estar sem vergonha ou constrangimento.

A autonomia da mulher também passa pelo acesso à informação e pela oportunidade de falar, sem tabus, sobre temas que impactam diretamente a qualidade de vida
— Adriana Teodoro, diretora do SINJUS-MG
O pompoarismo é um convite para vivenciar o corpo, habitá-lo e estabelecer uma relação de conforto consigo mesma
— Christiane Radha Costa, fisioterapeuta e instrutora de pompoarismo
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que um sindicato está promovendo workshops sobre pompoarismo? Isso não é um desvio do trabalho sindical?

Model

Na verdade, é o oposto. Autonomia feminina — incluindo autonomia sobre o próprio corpo — é uma questão de direitos. Se as mulheres não têm espaço seguro para aprender sobre sua saúde, sua sexualidade e seu bem-estar, então há um vazio que o sindicato pode preencher.

Inventor

Mas por que especificamente pompoarismo? Não é apenas uma técnica sexual?

Model

É apresentado assim frequentemente, mas o que aconteceu no workshop foi diferente. O pompoarismo foi tratado como uma porta de entrada para consciência corporal, prevenção de problemas de saúde — incontinência, prolapso — e para que as mulheres desenvolvam uma relação mais saudável com seus próprios corpos.

Inventor

E as mulheres que participaram — como reagiram?

Model

Houve alívio. Muitas disseram que o ambiente era confortável e acolhedor. Algumas perceberam pela primeira vez que estavam ignorando sinais que seus corpos estavam enviando. Outras aprenderam que conhecer o próprio corpo é também uma forma de exercer poder sobre si mesma.

Inventor

Isso muda algo no longo prazo, ou é apenas um evento?

Model

É parte de algo maior. O Núcleo das Mulheres está criando um espaço permanente onde essas conversas podem acontecer. A segunda edição do workshop já mostra que há demanda. As mulheres estão voltando, trazendo amigas, compartilhando experiências. Isso constrói vínculos.

Inventor

Qual é o maior obstáculo que você vê?

Model

O tabu. Ainda há muita vergonha em torno da sexualidade feminina, do corpo das mulheres, do prazer. Quebrar isso exige espaços seguros — e exige que instituições como sindicatos digam: isso importa, isso é legítimo, vamos conversar sobre isso.

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