2.ª fase de exames nacionais em risco devido a problemas na plataforma digital

Centenas de milhares de alunos (300 mil) enfrentam incerteza sobre datas de exames e candidaturas ao Ensino Superior, com potencial impacto nas suas transições educacionais.
É praticamente impossível cumprir o prazo de correção
Cristina Mota, porta-voz da Missão Escola Pública, sobre os constrangimentos da plataforma digital.

Plataforma inacessível, folhas de alunos trocadas e classificadores sem habilitação na disciplina criam riscos sistémicos para a integridade das notas dos exames. Cinco dias após o prazo original, docentes continuam sem acesso à plataforma; apenas professores de Português e Economia conseguem corrigir, com dificuldades.

  • Plataforma inacessível desde 23 de junho; cinco dias depois, professores continuam sem acesso
  • 300 mil alunos envolvidos na primeira digitalização completa dos exames nacionais
  • Folhas de alunos trocadas, erros de digitalização e classificadores sem habilitação na disciplina

A digitalização dos exames nacionais enfrenta falhas críticas na plataforma de classificação, com folhas trocadas e professores sem acesso, colocando em risco o calendário da segunda fase e candidaturas ao Ensino Superior.

A segunda fase dos exames nacionais está em risco. Isto não é especulação — é o aviso direto de Cristina Mota, porta-voz da Missão Escola Pública, um movimento apartidário de professores que acompanha de perto o que se passa nas escolas. O problema está na plataforma digital onde, este ano pela primeira vez, todas as provas estão a ser classificadas eletronicamente. E a plataforma está a falhar.

Desde 23 de junho, quando deveria ter começado a correção, os professores enfrentam uma cascata de obstáculos. A plataforma fica inacessível durante horas. Quando conseguem entrar, encontram folhas de alunos trocadas — um risco silencioso que pode levar a notas erradas sem que ninguém se aperceba. Há casos de professores a receberem itens de disciplinas que não lecionam. Há erros de digitalização: folhas de continuação em falta, deixando composições truncadas a meio de uma frase, folhas totalmente em branco, digitalizações ilegíveis. Cinco dias depois do prazo original, a 29 de junho, docentes continuam sem conseguir aceder. Segundo o Metaprof, uma organização de professores, isto é um "colapso da plataforma de classificação".

O calendário está agora em causa. O ministério prometeu dez dias úteis para correção, com afixação de pautas no dia 14. Mas Cristina Mota é clara: "É muito difícil, diria mesmo praticamente impossível, cumprir-se o prazo de correção e afixação do resultado dos exames." Na maioria dos agrupamentos, os professores ainda não receberam sequer a convocatória para corrigir o exame de Matemática, realizado a 23 de junho. Apenas os docentes de Português e Economia conseguem corrigir — e mesmo assim muitos não conseguem aceder à plataforma. O prazo termina a 10 de julho.

O que isto significa é que a segunda fase de exames, prevista para depois, pode ter de ser adiada para agosto. E com ela, as datas de candidatura ao Ensino Superior. Trezentos mil alunos estão envolvidos. Trezentos mil. Este é o primeiro ano em que o processo foi totalmente digitalizado — no ano anterior, apenas o exame de Filosofia foi corrigido desta forma, com 20 mil alunos. O salto foi enorme. Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, pede serenidade e diz que é preciso esperar pelos próximos dias para perceber se o calendário se vai cumprir. Mas também reconhece que os problemas chegam "numa altura em que alunos e escolas precisam de tranquilidade".

A MEP aconselha os alunos a tomarem nota de quantas folhas entregaram para depois conseguir confirmar se todas elas foram classificadas. É um conselho que diz tudo: não há garantia de que o exame classificado é efetivamente o que o aluno realizou. A integridade das notas está em questão. Os professores estão a entregar escusas de responsabilidade. O que acontece agora — nos próximos dias, até ao dia 14 — vai determinar se centenas de milhares de alunos conseguem candidatar-se ao Ensino Superior nas datas previstas ou se todo o calendário educativo do país vai ter de ser reajustado.

Está comprometida a 2ª fase e a data de candidatura do acesso ao Ensino Superior
— Cristina Mota, porta-voz da Missão Escola Pública
O ano passado este processo foi feito com 20 mil alunos e passou para 300 mil este ano. É uma empreitada grande
— Filinto Lima, presidente da ANDAEP
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Inventor

Porque é que isto está a acontecer agora, neste momento específico?

Model

Porque o ministério decidiu digitalizar tudo de uma vez. No ano passado foram 20 mil alunos, apenas Filosofia. Este ano são 300 mil alunos, todas as disciplinas. Foi um passo demasiado grande, demasiado rápido.

Inventor

Mas a plataforma deveria ter sido testada antes, não?

Model

Deveria. Mas o que se vê é que não estava preparada para este volume. Desde 23 de junho que os professores não conseguem aceder. Cinco dias depois, continuam sem acesso.

Inventor

E o que significa isto para um aluno que fez o exame?

Model

Significa incerteza total. Não sabe quando vai ter a nota. Não sabe se a sua prova foi toda digitalizada corretamente. Há folhas em branco, há folhas trocadas. A MEP aconselha os alunos a contarem quantas folhas entregaram, para depois conseguir confirmar.

Inventor

Isso é assustador.

Model

É. E depois há o efeito em cascata. Se as notas não saem a tempo, a segunda fase atrasa. Se a segunda fase atrasa, as candidaturas ao Ensino Superior atrasam. Trezentos mil alunos podem ver o seu calendário educativo completamente alterado.

Inventor

O ministério está a dizer alguma coisa?

Model

O ministério garantiu que as pautas seriam afixadas a 14 de julho. Mas os professores dizem que é praticamente impossível. Filinto Lima, que dirige os agrupamentos, pede serenidade e diz que é preciso esperar para ver se o calendário se cumpre. Mas a verdade é que ninguém sabe.

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