2026 terá quatro eclipses, com destaque para eclipse solar total visível em Portugal

Dez segundos de escuridão diurna numa aldeia portuguesa
O eclipse solar total de agosto será visível apenas em Guadramil, no nordeste de Portugal, com uma duração brevíssima.

Em 2026, o céu oferece quatro eclipses ao longo do ano — dois solares, dois lunares —, mas é a 12 de agosto que a natureza reserva o seu momento mais singular para Portugal: um eclipse solar total que tocará o território nacional apenas numa pequena aldeia do nordeste transmontano, durante dez breves segundos. Guadramil, no Parque Natural do Montesinho, torna-se assim um ponto de peregrinação astronómica, lembrando-nos que os grandes fenómenos cósmicos raramente se distribuem com equidade, e que a raridade tem sempre um endereço preciso.

  • A faixa de totalidade do eclipse de agosto atravessa Espanha de norte a sul, mas entra em Portugal por uma fresta mínima — apenas a aldeia de Guadramil ficará sob a sombra completa da Lua.
  • Dez segundos: é tudo o que dura a totalidade em solo português, tornando este eclipse um dos eventos astronómicos mais fugazes e procurados da década.
  • O resto do país não ficará indiferente — Bragança atingirá 99,9% de ocultação e os Açores 72%, mas a linha entre 'quase total' e 'total' é, astronomicamente, um abismo.
  • O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço prepara um evento de observação em Guadramil, alertando para os riscos oculares de quem observar sem filtros certificados.
  • Quem quiser mais do que dez segundos de escuridão diurna terá de cruzar a fronteira — Gijón, Valladolid, Bilbau, Saragoça e Valência estão todas dentro da faixa de totalidade espanhola.

2026 será um ano generoso para quem olha para o céu: quatro eclipses — dois solares e dois lunares — vão distribuir-se ao longo dos doze meses. Mas entre todos, o de 12 de agosto impõe-se com uma força particular. Nesse dia, um eclipse solar total atravessará a Península Ibérica, e Portugal estará quase — mas não completamente — dentro da sua trajectória.

A faixa de totalidade passa pelo norte e este de Espanha, tocando cidades como Gijón, Valladolid, Bilbau, Saragoça e Valência. Em Portugal, apenas uma zona minúscula do nordeste do Parque Natural do Montesinho ficará sob a sombra completa da Lua. Mais concretamente, só a aldeia de Guadramil estará dentro dessa faixa — e mesmo ali, a totalidade durará apenas dez segundos. O resto do país assistirá a um eclipse parcial: Bragança chegará aos 99,9% de ocultação, os Açores aos 72%, e em muitas localidades o Sol desaparecerá no horizonte enquanto o fenómeno ainda decorre.

Num eclipse total, a Lua cobre completamente o disco solar, revelando a coroa solar a olho nu — a atmosfera exterior do Sol, normalmente invisível. É um espectáculo que não tem paralelo. Nos eclipses lunares, que também ocorrerão em 2026, é a Terra que se interpõe entre a Lua e o Sol, tingindo a superfície lunar de tons alaranjados e avermelhados consoante a quantidade de poeira e nuvens na atmosfera terrestre.

O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, em parceria com a Agência Ciência Viva, organizará um evento de observação em Guadramil — o único ponto do país onde o eclipse será total. A recomendação é clara: nunca observar um eclipse solar sem filtros certificados, sob pena de lesões oculares graves e permanentes. Para quem quiser mais do que dez segundos de escuridão diurna, a fronteira espanhola estará a poucas horas de distância.

2026 será um ano de rara abundância celeste. Quatro eclipses vão ocorrer ao longo dos próximos doze meses — dois do Sol, dois da Lua — oferecendo aos observadores do céu múltiplas oportunidades para testemunhar estes fenómenos. Mas há um que se destaca com particular intensidade: a 12 de agosto, um eclipse solar total vai atravessar a Península Ibérica, e uma pequena porção do nordeste português terá a sorte de estar na sua trajectória.

O eclipse de agosto é o que promete valer a pena, segundo Ricardo Cardoso Reis, astrónomo do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço. A faixa de totalidade vai passar muito perto — entre o norte e o este de Espanha, tocando cidades como Gijón, Valladolid, Bilbau, Saragoça e Valência. Em Portugal, porém, o fenómeno será visível como eclipse total apenas numa zona muito reduzida: o nordeste do Parque Natural do Montesinho. Mais precisamente, apenas na pequena aldeia de Guadramil estará dentro da faixa onde a Lua cobre completamente o disco solar. E mesmo ali, a totalidade durará apenas dez segundos — um breve instante de escuridão diurna.

O resto do país verá um eclipse parcial. Nos Açores, a ocultação atingirá 72% do disco solar. Em Bragança, no continente, chegará aos 99,9% — quase total, mas não completamente. O eclipse terminará ao pôr-do-sol em muitas localidades, e em algumas regiões o Sol desaparecerá no horizonte enquanto o fenómeno ainda decorre. O ponto de máxima intensidade será visível em todo o território nacional.

Para compreender o que vai acontecer, é útil entender a mecânica do evento. Um eclipse solar é um jogo de sombras entre três atores: a Lua, a Terra e o Sol. Quando a Lua se posiciona entre a Terra e o Sol, projeta a sua sombra sobre o nosso planeta. Num eclipse total, a Lua cobre completamente a face do Sol, criando um período de escuridão semelhante ao anoitecer. É neste momento que a coroa solar — a atmosfera exterior do Sol — se torna visível a olho nu, um espectáculo raro. Existem também eclipses parciais, quando a Lua cobre apenas uma parte do disco solar, e eclipses anulares, quando a Lua não consegue tapar completamente o Sol e deixa um anel brilhante visível à sua volta.

2026 também trará dois eclipses lunares. Estes ocorrem quando a Terra se posiciona entre a Lua e o Sol, projectando a sua sombra sobre a superfície lunar. Num eclipse lunar total, a Lua desloca-se para a umbra — a parte interior e mais densa da sombra terrestre. A luz solar que atravessa a atmosfera da Terra ainda atinge a Lua, mas apenas os comprimentos de onda mais longos conseguem passar. O azul e o violeta dispersam-se, enquanto o vermelho e o laranja chegam à superfície lunar, dando-lhe uma tonalidade alaranjada ou avermelhada. Quanto mais poeira ou nuvens existirem na atmosfera terrestre durante o eclipse, mais intensa será esta cor vermelha. Num eclipse lunar parcial, a Lua passa apenas por parte da umbra, e a sombra nunca a cobre completamente. Existe ainda o eclipse penumbral, quando a Lua atravessa apenas a penumbra — a sombra exterior e ténue — e escurece tão ligeiramente que pode ser difícil de notar.

O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, em parceria com a Agência Ciência Viva, vai organizar um evento de observação no único local português onde o eclipse será total: a aldeia de Guadramil. Para quem quiser observar, é essencial tomar precauções. Observar um eclipse solar sem proteção adequada pode provocar lesões oculares graves e permanentes. A recomendação é usar filtros solares certificados ou recorrer a métodos indirectos, como a projeção por orifício. Quem planear viajar para Espanha para uma melhor vista terá cidades inteiras como opção — Gijón, Valladolid, Bilbau, Saragoça, Valência — todas dentro da faixa de totalidade. Para os portugueses que ficarem em casa, o espectáculo será parcial, mas ainda assim notável: um eclipse que cobre quase a totalidade do disco solar é um evento que marca.

Vai valer mesmo a pena pois a faixa da totalidade vai passar já aqui ao lado, entre o norte e o este de Espanha
— Ricardo Cardoso Reis, astrónomo do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que este eclipse em particular merece tanta atenção?

Model

Porque é raro. Um eclipse solar total visível de Portugal acontece talvez uma vez por século ou menos. E este vai passar mesmo ao lado — em Espanha, a poucos quilómetros da fronteira. Quem quiser ver a totalidade tem uma oportunidade que pode não ter novamente na vida.

Inventor

Mas em Portugal só dura dez segundos?

Model

Sim, apenas em Guadramil. E só porque essa aldeia fica dentro da faixa de totalidade por acaso. O resto do país verá um eclipse parcial muito impressionante — 99,9% em Bragança é quase total — mas não é a mesma coisa. A coroa solar, aquela atmosfera brilhante que rodeia o Sol, só fica visível durante a totalidade.

Inventor

Porque é que a duração é tão curta?

Model

Porque a Lua é pequena em comparação com o Sol, e o seu movimento é rápido. A sombra passa depressa. Dez segundos é típico para eclipses totais em latitudes altas como a nossa. Mais perto do equador, a totalidade pode durar vários minutos.

Inventor

E os eclipses lunares em 2026 — são visíveis de Portugal?

Model

Sim, cada eclipse lunar é visível de metade da Terra. Portanto, os dois eclipses lunares de 2026 serão visíveis daqui. E não precisam de proteção especial — podes olhar directamente para a Lua durante um eclipse lunar. É seguro.

Inventor

Qual é o risco de observar um eclipse solar sem proteção?

Model

Lesões oculares graves e permanentes. A radiação solar concentrada através da lente do teu olho pode queimar a retina. Muitas vezes não dói — a dor vem depois — e o dano é irreversível. Por isso é que o Instituto de Astrofísica vai organizar um evento com proteção adequada em Guadramil.

Inventor

Então a mensagem é: vê o eclipse, mas com cuidado?

Model

Exactamente. 2026 é um ano especial para a astronomia. Mas a segurança tem de vir em primeiro lugar.

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